O Benfica conquistou este Domingo o bicampeonato de futebol que lhe fugia já há mais de 30 anos. Não foi uma época fácil para os Encarnados que muito tiveram que suar e sofrer para conseguirem chegar ao seu 34º título da sua história. A época começou com muito negativismo, foram muitas as saídas de peças fundamentais do onze titular que deu aos Benfiquistas uma época de sonho em 2013/14, estamos a falar de jogadores como Rodrigo, Garay, Matic (ainda em Janeiro de 2014), André Gomes, Cardozo, Siqueira, Oblak e ainda Enzo Pérez (em Dezembro de 2014). Com tantas saídas e uma pré-época carregada de derrotas não se agoiravam bons tempos para os lados da Luz. O Sporting manteve a mesma estrutura da época passada e ainda foi buscar Nani e o F.C. Porto gastou bastante dinheiro para reforçar o seu plantel com bons valores tais como Brahimi, Tello, Casemiro, Óliver, Indi, etc. Curiosamente estes dois clubes contrataram treinadores novos enquanto o Benfica manteve o treinador Jorge Jesus estando aqui a primeira chave para o sucesso.

 

Mesmo com uma “sangria” de jogadores, o Benfica manteve peças que estão há muito anos no clube e que trabalham há muito tempo com Jorge Jesus, caso de Maxi, Luisão, Cardozo, Ruben Amorim, Gaitán, Salvio ou Jardel. Com os métodos de trabalho já assimilados por muitos dos jogadores, o Benfica foi acertando nas contratações onde se destacam com mais impacto Júlio César, Jonas, Pizzi e Samaris. A integração destes foi fundamental na conquista do bicampeonato, no qual o Benfica foi mais pragmático e ainda teve jogos onde demonstrou a nota artística que tanto tem feito as delícias dos Benfiquistas. É certo que na Europa o Benfica este ano esteve muito mal mas aí o andamento é completamente diferente e qualquer atraso na preparação dita normalmente uma campanha fraca.

 

Jorge Jesus soube “inventar” este ano uma série de equipas para ir fazendo face às constantes lesões que assolaram o plantel. Fejsa e Sulemani só agora é que estão a voltar à competição, Gaitán e Salvio falharam também alguns jogos neste campeonato e o Benfica chegou (embora em períodos diferentes) a ter os quatro centrais lesionados, só César esteve fora por lesão durante 4 meses. Perante tantos percalços, o Benfica conseguiu ser líder do campeonato desde a 5ª jornada até agora contra todas as probabilidades. Teve algumas derrotas que poderiam ter custado caro, como as de P. Ferreira e Rio Ave mas teve dois momentos decisivos que ajudaram a esta conquista; o primeiro quando venceu por 2-0 no Dragão e o segundo quando conseguiu empatar em Alvalade 1-1 no último suspiro do jogo.

 

O F.C. Porto, que foi o grande rival na luta pelo campeonato e com um plantel considerado por muito como sendo de luxo, perdeu mais tempo a falar dos árbitros e a fazer pressão sobre eles do que a estar concentrado no que verdadeiramente interessa, jogar futebol, e pagou caro este discurso visto que não ganhará nenhum título esta época. Benfica e Sporting já tiveram este discurso das arbitragens e pouco sucesso tiveram. Nos momentos em que a equipa do F.C. Porto poderia ter mostrado a sua superioridade claudicou, exemplos disso são os jogos com o Benfica e Sporting (para a Taça de Portugal) no Dragão, a dupla derrota frente ao Marítimo (Campeonato e Taça da Liga) mas mais importante ainda foi ter empatado com o Nacional quando o Benfica tinha perdido em Vila do Conde deixando passar a oportunidade de ficar a apenas um ponto do rival. Lopetegui foi um dos rostos deste discurso Portista sobre arbitragens repetitivo e cansativo e um dos responsáveis pelo insucesso dos Dragões. A rotatividade excessiva de jogadores, as substituições demasiado conservadoras quando era preciso vencer determinados jogos e ainda o total desrespeito por colegas de profissão como foram os casos de Jorge Jesus e Marco Silva contribuíram esses sim para o insucesso. Ao mesmo tempo, Lopetegui poderia assumir alguns dos seus erros mas mesmo assim demonstrou mau perder quando ontem “agradeceu a todos os que ajudaram o Benfica a ser campeão”. Ironia ou não, ele foi uma dessas pessoas.

 

Assim começou a festa do Benfica por todo o mundo, uma onda vermelha invadiu vários pontos do globo como é habitual e assistiram-se a momentos bonitos durante a comemoração de mais um campeonato. Só foi pena que uma minoria de energúmenos tivesse estragado a festa a muitas pessoas que sabem viver o desporto, ao contrário dessa gente. A Sul, no Marquês de Pombal, tivemos energúmenos de garrafas e pedras na mão; mais a Norte, Em Guimarães, apareceram dois energúmenos que em nada honram a farda que vestem e a grande instituição que é a PSP. Que sejam averiguados todos os factos e que esta gente se mantenha afastada do futebol. Se não sabe festejar fique em casa. Se só sabe manter a ordem daquela forma bárbara e animalesca mude para uma profissão mais calma.

 

Por: Ricardo Santos

Marketeer

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