Sabemos que em Portugal são muitos os fãs desta modalidade. Podemos ver o futebol só como um desporto mas é muito mais do que isso. Quando bem gerido e bem orientado, sem fanatismos e sem ser usado como ferramenta para alcançar interesses particulares de origem duvidosa, o futebol é algo de mágico. Muitos de nós nos reunimos nos estádios, em casa com familiares e amigos ou nos cafés e restaurantes para acompanharmos e apoiarmos os clubes dos nossos corações mas acima de tudo, e não incluindo aqui pseudo adeptos que fazem do futebol uma guerra, um motivo para conviver, nos alegrarmos, estar com “os nossos”, divertirmo-nos e tentarmos esquecer por breves instantes os problemas do dia-a-dia. Andamos mais animados, com um sorriso na cara, achamos que fazemos parte de algo e de uma paixão que para muitos é incompreensível, mas é algo que o futebol consegue. Ajuda os jovens a sonhar, dá-lhes uma atividade que para muitos em situação precária num país arrasado, os pode ajudar a não seguir caminhos que levam a desgraças e a vidas pouco condignas.

Tal como o país, o futebol passa por um período conturbado. Num país que viveu acima das possibilidades e que gastou o que tinha e o que não tinha o futebol não foi exceção. Os clubes viveram muito acima das suas possibilidades, pequenos e grandes. Muitos acabaram, tiveram que fechar portas, e ao contrário do que muitos pensam, nem todos os jogadores de futebol ganham fortunas, e por vezes situações de ordenados em atraso podem trazer problemas graves para os jogadores e suas famílias. É altura de repensarmos o que queremos para o futebol. Queremos que seja um desporto de todos e para todos ou um instrumento político que defende os interesses de uma minoria que reduz a nada todos os outros e que endivida até agentes fora do futebol.

Está na altura dos dirigentes deixarem-se de guerrinhas pessoais, de interesses particulares, de constantemente atacarem arbitragens para disfarçar a total incompetência que têm muitas vezes nas suas gestões, de criar exigências atrás de exigências muitas delas fúteis e que deixam clubes de menor dimensão sem possibilidade de competir porque os custos pura e simplesmente são exagerados e o retorno dado em receitas é muito pouco. É tempo de repensar a estrutura do futebol. Valerá a pena ter duas ligas profissionais com tantos clubes a percorrer norte a sul do país e ilhas com custos tão exorbitantes numa liga sem qualquer tipo de patrocinadores, falida e com um prejuízo de milhões de euros? Não fará todo o sentido começar a aproximar novamente o futebol das pessoas com custos mais acessíveis e com outras condições de segurança? De certeza que uma das principais “guerras” do futebol é precisamente expulsar quem faz do futebol precisamente isso, uma guerra.

Sei que na minha crónica semanal costumo fazer a análise da jornada e do percurso dos denominados três grandes mas esta semana para mim, e ao fim de dez jornadas, os três grandes são outros. Com poucos recursos Guimarães, Belenenses e Paços de Ferreira estão até agora a fazer um excelente campeonato e dar uma luta inesperada a três grandes que, com orçamentos de muitos milhões, já nos deram espetáculos de futebol muito pobres, aborrecidos e nada condizentes com o valor que têm. Espero que estes, e muitos outros clubes ditos pequenos, continuem estas proezas e continuem a sua luta por sobreviver num futebol falido e mais preocupado com guerrinhas que não interessam. Só queremos o bem de uma modalidade que é mais que um desporto, é um estado de alma e um pedaço importante da vida de cada um. Todos nós, fãs do futebol, estamos fartos!

 

Ricardo Santos

Marketeer

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