O PCP avança com toda a confiança para mais um ajuntamento organizado em plena pandemia. Ao arrepio de uma das recomendações mais básicas de combate ao contágio – evitar ajuntamentos – o partido que se orgulha em ter 100 anos, dá cada vez mais regulares sinais de senilidade, colocando o seu direito à frente de tudo e todos. 

Parece que é impossível contrariar a teimosia dos nossos comunistas de estimação, que tem sido proporcionalmente inversa à capacidade de aprender com os erros. Insistiram em organizar uma festa no verão e insistiram com este Congresso, cavalgando os mesmos argumentos desajustados da realidade. 

Continuamos a ler e ouvir camaradas a dizer que quem pretende o adiamento do Congresso está apenas a exprimir o seu “anticomunismo primário”, que os “direitos políticos não se suspendem” ou mais incrível ainda, que “ninguém reclama com os ajuntamentos nos transportes públicos”. 
O PCP precisa urgentemente de limpar a ideologia a mais que tem nos olhos e ver o que se passa à sua volta. Ninguém quereria saber de uns quantos comunistas enfiados num pavilhão a repetir as mesmas ladainhas de sempre, se não estivéssemos numa crise sanitária sem precedentes. 

Considerou o comité que o momento ideal para reunir centenas de militantes num edifício é agora, num altura em que estamos a bater recordes no número de infectados e de mortos. Infelizmente não percebem que as pessoas que todos os dias se colocam em perigo, nos transportes públicos por exemplo, o fazem por necessidade e que é exatamente por essas pessoas que deviam ter adiado o congresso. Essas pessoas arriscam-se porque precisam, os comunistas vão fazê-lo por teimosia. 

É esta a ajuda que dão ao SNS, que está a rebentar pelas costuras: provocar situações potencialmente desencadeadoras de um aumento de contágios. 

Pior do que invocarem o seu estatuto político para organizarem tudo o que pretendem sem que possam ser impedidos, é compararem-se a empresas que organizam eventos. Tenho lido um pouco por todo o lado, dirigentes do PCP apontarem a falta de condenações a eventos como a Fórmula 1, concertos e outros que tais. 
É preciso estar com uma grande falta de noção para não compreender a diferença de gravidade entre uma empresa que joga com as zonas cinzentas  das leis (ou até não) para organizar um evento, e um partido político com assento parlamentar, com voto nas decisões que afetam as nossas vidas, a fazer o mesmo. Torna-se até caricato, que um partido que tenta imenso combater a influência das empresas, se queira colocar no mesmo patamar que estas, quando precisa de defender as suas más acções.

São estes os momentos que devem gerar reflexão acerca do que cada partido faz com a responsabilidade que lhe é depositada pelos cidadãos. Neste caso, temos um partido que se diz centenário mas, que tem a mesma relação com o sentido de dever e responsabilidade que uma criança de 3 anos e o mesmo egocentrismo que um adolescente.  

João Conde