Ontem voltaram-se a viver grandes emoções no primeiro dérbi da época. Um estádio cheio (como raramente se vê no nosso campeonato) e duas equipas com vontade de ganhar onde o principal fator decisor do jogo acabaram por ser os guarda-redes: Rui Patrício pela positiva, dado que segurou a avalanche benfiquista durante metade da segunda parte, Artur pela negativa com um erro (mais um) crasso que custou dois preciosos pontos ao Benfica.

É certo que ainda efetuou duas ou três boas defesas mas cometeu ainda mais erros que não saíram caro dado que os jogadores do Sporting falharam. É um guarda-redes capaz do melhor e do pior no mesmo jogo e isso é inadmissível numa equipa que luta pelo título. Os erros do passado ainda pesam sobre os seus ombros e assim não pode ser uma opção válida para o treinador. Foi notório o ano passado quando saiu da equipa, o Benfica embalou para uma segunda volta de campeonato simplesmente fantástica. Um erro que prejudicou a equipa, que ajudou o Sporting a crescer no jogo e a acabar o jogo por cima do Benfica deixando os seus adeptos com o credo na boca.

Com a pausa no campeonato, e com o mercado ainda a mexer, os treinadores vão aproveitar para afinar melhor as suas equipas e integrar melhor alguns reforços que ainda não se mostraram. E a jornada vai recomeçar com um V. Guimarães-Porto, um jogo que promete ser interessante, o duelo pela liderança do campeonato.

Até lá vamo-nos concentrar na seleção e esperemos que comece com o pé direito mais uma fase de qualificação para um Europeu. É certo que é necessário uma revolução profunda e Paulo Bento começa a demonstrá-lo com a convocatória que fez para o jogo com a Albânia; uma revolução que exige muito tempo de trabalho e paciência numa procura por mais uma geração de ouro como a do passado e que tarda em aparecer… Se é que vai aparecer.

Isto não acontece por falta de qualidade dos jogadores portugueses, existe por falta de oportunidades no nosso campeonato e consequente colocação em equipas e campeonatos mais competitivos como outrora o fizemos. Estamos a exportar melhor os talentos vindos do estrangeiro e isso vai-se notando em outras seleções que denotam muito mais qualidade. É importante que voltemos a arranjar estratégias eficazes de promoção dos jogadores portugueses sob pena de voltarmos aos tempos em que não nos qualificávamos para nada, e quando nos qualificamos, acaba por correr como correu este último mundial.

Ricardo Santos

Marketeer

Partilhe esta notícia