O artigo que vos trago hoje foi escrito enquanto me inspirava para uma das palestras que tinha que fazer em Oakland, Califórnia, nos Estados Unidos da América no âmbito da Terceira Conferência de Orçamento Participativo Norte-Americano. O tema do painel que integraria era “Creative Use of Technology in Participatory Budgeting”, então e sendo que os processos de orçamento participativo tendem a focar-se na interação dos cidadãos e na cocriação de soluções coletivas para as cidades, também a tecnologia deve centrar-se no ser humano.

Constatamos facilmente que nos dias de hoje as pessoas estão mais interligadas entre si do que alguma vez estiveram, num simples clique ou no deslizar de um dedo rapidamente acedemos ao Facebook, Twitter, Pinterest, Yelp, Foursquare, Myspace, etc.

Estima-se que em 2050 as cidades tenham no seu interior mais de 70% da população mundial, e mesmo assim (como acontece hoje em 2014) iremos ser confrontados com idosos sentados sozinhos em bancos de jardim, ringues de futebol amador vazios quando há alguns anos fazia-se fila para conseguir jogar cinco minutos.

O que é que está a acontecer?! Porque é que este mundo conectado em que vivemos é e está desconectado? São duas questões que urgem responder, e que espero fazê-lo nos próximos artigos.

A indústria das tecnologias de informação e comunicação colocam um sem fim de tecnologia à disposição das cidades, que estas rapidamente adotam para marcarem a sua posição competitiva num cenário de Smart City, no entanto demoram muito tempo a tomar propriedade da tecnologia tornando-se assim reféns de uma conta corrente para algo que nem sempre promove o envolvimento dos cidadãos, nem acarreta reias mais-valias à qualidade de vida nas cidades.

Os cidadãos, por ser turno, através de programas de participação e envolvimento, tais como o orçamento participativo, veem o seu compromisso com o bem comum e com dinâmica democrática mais estreito, contribuindo assim para o aumento da capacidade de escolha coletiva. Sendo que aqui estão as bases para o encontro entre tecnologia e o ser humano.

É por isto que quando abordo o tema das Smart Cities gosto sempre de destacar o lado humano da mesma, portanto ao falarmos de tecnologia para as cidades é importante termos presente que uma Human Smart Cities é o próximo nível, ou seja, uma cidade onde as vitórias de uns sejam migradas do virtual para o físico. Vitórias essas que permitam juntar e consensualizar os desejos, interesses e necessidades dos atores do território.

Assim, em linhas gerais, as tecnologias de informação e comunicação devem ser um meio, e nunca a mensagem, ou seja, todas as plataformas que permitam a interação dos cidadãos não devem ambicionar ser “a última coca-cola do mundo”, devem sim preocupar-se em serem centradas no cidadão.

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