O Barreiro comemora hoje, 28 de Junho, os 34 anos da sua elevação a cidade. O meu Barreiro começa sensivelmente há 27 anos. Não nasci no Barreiro, nasci bem a Norte, no Peso da Régua, distrito de Vila Real, mas toda a minha vida, todas as minhas memórias, todos os momentos mais marcantes têm um denominador comum: o nosso Barreiro.

Da 5 de Outubro à Escola 5, num tempo em que uma criança andar sozinha na rua era normal, fazia o meu caminho até à escola, onde a professor Benilde me ensinou a ler, a escrever, a somar e a sumir. Num tempo em que ainda nem havia o Centro Comercial Via Europa (surge durante esse período de ensino primário), todos os dias agarrava na mochila e me punha em caminho, cumprimentando os meus jovens amigos que encontrava a percorrer o mesmo trajecto. Vicissitudes da vida fizeram-me perder contacto com muitos deles mas ainda hoje encontro alguns deles, seja na rua, no barco ou nas saídas à noite, como o Silvio, o Nélson e o Daniel.

O meu Barreiro é o Barreiro dos jovens que, estudando na Quinta Nova da Telha, iam todos os dias ao Senhor Alberto comprar gomas e outros doces, aproveitando todas as moedinhas que conseguíamos que os nossos pais nos dessem. E, nesse tempo que já lá vai, vimos nascer o Parque da Cidade e o Auditório Augusto Cabrita.

O meu Barreiro já não é o do Liceu do Barreiro mas o da Escola Secundária de Casquilhos, onde começam, também, as minhas aventuras nos TCB. Sempre que surgia um furo nas aulas, era tempo de explorar o Barreiro, num sopro de liberdade individual, através das carreiras 14 ou 15, que passavam nos Casquilhos. Tempos em que eu, um jovem adolescente, conheci o Barreiro e as suas gentes, a vida da cidade no seu dia-a-dia. Memórias que ficam e me fizeram apaixonar ainda mais por esta terra beijada pelo Tejo.

O meu Barreiro é o das primeiras saídas, pela Avenida da Praia, do XL, à Vinícola ou do Clube de Vela, onde o espírito jovem contrastava com o Barreiro Velho. Onde a bela vista para Lisboa nos fazia sonhar com o que do outro lado do rio se passava, onde pensávamos no futuro, na vida, nos sonhos.

O meu Barreiro não é muito diferente do de qualquer jovem da minha geração. O meu Barreiro sonha hoje com um Barreiro ainda melhor. Com oportunidades de emprego e de vida. Com uma cidade que se regenera respeitando o seu património histórico, num contraste entre o antigo e o moderno que tanto caracteriza a cidade.

O meu Barreiro é o Barreiro de todos. E hoje, no dia em que se celebram 34 anos da sua elevação a cidade, o sonho continua bem vivo. E tentemos, todos os dias, contribuir para melhorar a nossa cidade e ajudar a tornar o sonho dos tempos de criança numa realidade para as gerações seguintes.

Hélder Leal Rodrigues

Presidente da JP Barreiro

Partilhe esta notícia