A Obesidade Infantil deve começar a ser prevenida no período da preconceção, ou seja, quando os pais começam a planear ter um filho. O comportamento alimentar saudável, diversificado e equilibrado; a atividade física regular programada; e a adequada rotina do sono (em termos de quantidade e qualidade do período de descanso) dos futuros pais, evitarão o aparecimento desta doença nos seus descendentes.

Também o tabagismo, o stress e o excessivo aumento de peso durante a gravidez potenciam a obesidade infantil.  É essencial que a grávida mantenha uma alimentação saudável e não descure a sua boa forma física e uma higiene do sono estruturante e revitalizante.

Está demonstrado que o aleitamento materno em exclusivo nos primeiros seis meses de vida, reduz o risco de Obesidade Infantil. E a sua promoção nos primeiros 2 anos de vida, 1 a 2 x dia, consolida essa diminuição. 

A introdução de novos alimentos, idealmente por volta dos 6 meses de vida, deve ser criteriosa e personalizada, porque cada criança é única. Esta transição e aprendizagem no consumo de alimentos sólidos é um marco muito importante para a família e sobretudo determinante no futuro da criança. 

Os hábitos alimentares formam-se nos dois primeiros anos de vida e como tal, deverão sempre ser planeados e individualizados de acordo com as recomendações do/a seu/sua Pediatra ou Médico/a de Família.

É extremamente importante privilegiar, desde cedo, o consumo de alimentos obtidos diretamente da natureza, nomeadamente legumes e frutos da época, evitando viciar o paladar, que está em formação, com alimentos doces e processados/industrializados.

Ensinar a criança a comer de tudo um pouco é essencial. 

Da minha experiência, um dos segredos mais importantes é a introdução de um alimento novo de cada vez, durante pelo menos 3 dias consecutivos, porque desta forma o paladar daquele alimento ficará memorizado no cérebro. 

As crianças, habitualmente, rejeitam os alimentos que não conhecem. Caso a criança inicialmente desgoste ou demonstre pouco interesse, deve tentar novamente passado uma semana, porque as papilas gustativas nesta idade estão em constante renovação. 

Estudos nesta área demonstraram que o cérebro humano, para aceitar um alimento deverá prová-lo, pelo menos, 21 vezes, ao longo de um curto espaço de tempo, em intervalos regulares.

A introdução de novos alimentos deve ser calma e gradual, explorando as cores e associando a histórias que estimulem a curiosidade infantil, criando pensamentos felizes associados a estes momentos únicos.

A mensagem importante para os pais e cuidadores é que devemos ser pacientes, persistentes e imparciais, evitando manifestar as nossas próprias preferências e aversões porque os nossos comportamentos e expressões, quando apresentamos um alimento, irão reflexamente condicionar as escolhas dos nossos filhos.

A Obesidade Infantil é considerada a pandemia silenciosa do século XXI – é atualmente a primeira causa mundial de doença evitável. Com significativo impacto social e económico, elevada morbilidade e mortalidade, pode ser prevenida antes da conceção, através do incentivo de estilos de vida saudáveis nos progenitores.

Portugal é o 9º país europeu com maior prevalência de Obesidade Infantil – é essencial que, preventivamente, todas as crianças sejam acompanhadas por profissionais de saúde especializados, idealmente Pediatra dedicado à área da Nutrição Infantil e da Obesidade, que os irá orientar e acompanhar na jornada da vida, incentivando e aconselhando hábitos salutares, adequados às circunstâncias de cada família.

Independentemente do atual contexto da Covid-19, é urgente cuidar da nossa saúde e da saúde das nossas crianças. As unidades de saúde CUF, primando pela qualidade dos seus protocolos de proteção e segurança, já retomaram atividade clínica, presencialmente ou por teleconsulta – temos Consultas Pré-Natal e de Pediatria com especialistas dedicados.

Dra. Cláudia Dias da Costa, pediatra na Clínica CUF Almada – mestre em Nutrição Clínica