O dia 31 de Janeiro de 2015 marcará o início de uma nova era em Portugal. Nesse dia, a convenção cidadã criará o embrião de uma nova mentalidade, que se pretende resulte no nascimento de um Governo de esquerda progressiva a eleger nas próximas eleições legislativas.

A tradição do povo português é aventureira, da descoberta de novos mundos, novas gentes ou novas ideias. Somos conhecidos por interagir com outros povos, seja através da já longínqua colonização, da passada e presente emigração ou da habilidade mercantil.

Os cidadãos nacionais nascidos antes da Revolução de 25 de Abril de 1974 foram educados numa cultura de necessidade, de medo, de censura, de pais que passaram fome, que falavam às escondidas ou que eram presos simplesmente por quererem melhores condições de trabalho ou falar livremente. Para quem já esqueceu, nesse tempo uma professora, uma enfermeira ou uma hospedeira, para casar, precisava de testemunhas abonatórias e autorização do Estado. Nesse tempo não existia liberdade nem democracia e muito menos preocupações com a Europa ou o Ambiente. Este povo cresceu com aptidões criativas que permitiam resolver problemas através da cultura do desenrasca numa sociedade pouco estruturada e onde faltava quase tudo. Ainda assim, este povo é conhecido, além fronteira, como sendo trabalhador, esforçado, adaptável, cumpridor de ordens e de brandos costumes.

Um povo assim, torna-se apetecível aos interesses do experimentalismo governativo, possuindo ainda um alto risco para ser mais facilmente explorado pelos interesses que não serão, certamente, os da maioria dos seus cidadãos nacionais.

Assim, ao serviço desses interesses, criou-se em Portugal uma estirpe de governantes cuja função foi a de cultivar, nos cidadãos deste país, o medo, a dependência, a perda da auto-estima, da fé e da esperança, o afastamento da política e o desmantelamento dos direitos constitucionais. Este povo deixou de viver, passando a dar prioridade à satisfação de necessidades básicas de sobrevivência tais como a alimentação e a segurança. A educação, a saúde e o Estado social têm vindo a ser destruídos por quem mentiu jurando cumprir a Constituição da Republica Portuguesa.

Estes governantes fomentaram desigualdades, empobreceram o país, destruíram o investimento na investigação, inovação e desenvolvimento, desertificaram o país, enviaram jovens qualificados para o exterior e gastaram fundos nacionais em projetos ruinosos. Reduziram ainda a qualidade de vida dos cidadãos, aumentaram o desemprego e o sentimento depressivo de um povo e afastaram os cidadãos das decisões eleitorais e de uma participação ativa no desenvolvimento deste país.

O LIVRE tem vindo a congregar vontades e decidiu que “É tempo de avançar” para uma “Candidatura cidadã” (www.tempodeavancar.net) e de implementar uma solução

governativa de esquerda que permita o desenvolvimento sustentável deste país e termine de vez com as políticas de destruição dos direitos constitucionais que a direita portuguesa tanto ambiciona.

No LIVRE escutamos e requeremos a participação de todos aqueles que quiserem construir um Portugal melhor que ponha fim à política de austeridade, recessão, injustiça e perca de todos os valores da esquerda democrática e republicana. Todos juntos trabalharemos no sentido de: acabar com o austerítarismo e consequente recessão, reduzir o desemprego e a fuga de jovens qualificados para o estrangeiro, melhorar a qualidade de vida e o ambiente e aumentar o investimento na investigação, desenvolvimento e inovação, proporcionando todos, e a todos, os serviços públicos consagrados na Constituição da República Portuguesa.

É desejado que o desenvolvimento do país se faça de forma estruturada, sustentada, racional e equilibrada procurando as melhores soluções tendo por base uma economia verde, nos aspectos, ambiental e social, e uma economia azul, potenciando a riqueza contida nos oceanos, geradoras de oportunidades de emprego e de negócio.

No LIVRE temos como pilares as liberdades e direitos cívicos, a igualdade e a justiça social, o aprofundamento da democracia em Portugal, a construção de uma democracia europeia e a ecologia, sustentabilidade e respeito pelo meio ambiente.

No LIVRE afirmamos como nossos princípios o universalismo, a liberdade, a igualdade, a solidariedade, a fraternidade, o socialismo, a ecologia e o europeísmo.

O dia 31 de Janeiro de 2014, será um marco histórico para a construção de um programa eleitoral elaborado a partir da auscultação dos cidadãos, num processo de debate e deliberação público, transparente e informado. A candidatura cidadã às próximas eleições legislativas será efetuada através de um processo de construção de listas aberto, em eleições primárias e pretende a constituição de um Governo de esquerda em Portugal.

A revolução cidadã está em marcha.

 

Luís Figueiredo

Membro da Comissão Instaladora do Núcleo de Setúbal do LIVRE Subscritor da Convocatória da Convenção para uma candidatura cidadã

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