A separação conjugal e o divórcio são experiências muito angustiantes e perturbadoras, pois implicam tomada de decisões e exigem reorganizações pessoais e relacionais. A rutura do casal não põe fim à família. Há sempre um pai, uma mãe e um ou mais filhos, que marcam uma nova forma de família.

A situação de separação é gerada por inúmeros sentimentos ou realidades: a tristeza perante a partida do outro; a cólera em relação ao que está a acontecer e que não desejava; a culpabilidade perante o fracasso da relação do outro; a ansiedade; sentimento de ser abandonado; a perda económica; as perdas relacionais…

Reações do casal

A separação põe fim à relação conjugal, mas não à relação parental. O período de rutura leva os pais a comportarem-se de forma irracional. Os filhos assistem a cenas entre o casal tais como discussões, agressões físicas ou verbais.

A fase inicial de rutura de um casal pode durar muito tempo, o que é prejudicial para a criança. Passada a fase inicial, o casal entra em fase de transição, fase de ensaios, de erros, em que tentam novos estilos de vida e reorganizam-na. É uma fase onde existem mudanças, tanto para o casal como para as crianças. O contacto com os pais passa, naturalmente, a ser programado.

A última fase é a de estabilidade. As crianças sentem-se mais seguras quando os pais são capazes de lhes proporcionar mais estabilidade, quando as rotinas de visita são cumpridas.

Não é vantajoso para as crianças o casal infeliz permanecer junto. Às vezes as crianças apercebem-se do mau ambiente e acarretam culpas de que os pais continuam juntos, mas infelizes por culpa deles. Quando os pais se sentem culpados pela separação não conseguem conversar com os filhos, mas as crianças ajustam-se melhor quando recebem explicações sobre o divórcio, sobre o que lhes vai acontecer. Respostas ajustadas acautelam a insegurança dos filhos ou a sua tristeza para que eles não se sintam desamparados e seja mais fácil enfrentar a separação. Os pais, que se sentem culpados em relação ao divórcio, têm uma autocrítica exagerada, chegando a odiar-se a si próprios, o que leva à depressão e faz com que se distanciem emocionalmente dos filhos e de outras pessoas.

Reações das crianças

As crianças têm maior probabilidade de desenvolver medo de abandono, ansiedade pela separação, se para isso não forem preparadas. As crianças têm medo de perder os dois pais, temem não ter o seu amor e atenção quando mais precisarem.

Até 5 anos: Reações de tristeza; medo de abandono; regressão culpabilidade; raiva agressividade, comportamentos de oposição e fantasia de reconciliação.

Dos 5 aos 7 anos: As crianças revelam tristeza perante a separação; medo de abandono e de perda do amor dos pais; sentimento de ser responsável pela separação; tendência a querer substituir o progenitor que se foi embora (rapaz finge que é o pai e a rapariga finge que é a mãe); fantasia de reconciliação (algumas crianças vão ao ponto de organizar encontros entre os pais); sentimento de lealdade; raiva; rejeição pelo progenitor ausente (algumas crianças choram, escondem-se); aumento ou diminuição da capacidade para se concentrar e realizar trabalhos escolares; mudanças nos seus comportamentos sociais, na escola ou com os amigos.

Dos 8 aos 12 anos: Permanece a tristeza; sensação de vergonha e de desconforto em relação à separação; negação do desgosto; aumento de sintomas somáticos; diminuição da autoconfiança; sentimento de culpabilidade; virar-se para si próprio.

O adolescente dos 14-17 anos: Profunda tristeza, nem sempre manifestada; raiva contra ambos os pais ou contra um deles em particular; sensação de desânimo ligada às responsabilidades, sensação de aflição relacionada com o conflito dos pais; embaraço perante os comportamentos por vezes imaturos de um ou de ambos os pais; torna-se o confidente ou aliado de um dos pais; imitação de um dos pais na sua busca de liberdade sexual; rejeição da outra casa; sensação frequente de culpabilidade e hesitação entre o pedido do progenitor sem a custódia e a necessidade pessoal de liberdade e de disponibilidade, em relação aos amigos; rejeição da autoridade e do controlo dos novos cônjuges e reagem envolvendo-se menos com os pais, pensando mais no seu futuro.

Em adultos, os filhos de pais divorciados são mais ansiosos, têm insónias, queixas físicas… Por vezes, pelo trauma do passado, tendem a envolver-se menos com os seus filhos.

A criança não exprime necessariamente os seus sentimentos aos pais, na altura da separação, não por falta de confiança ou de amor, mas para os proteger e para se proteger.Uma criança exprime-se pela palavra, pelo silêncio, pela ação, pela inatividade ou pela hiperatividade.

Os pais são quem está mais bem posicionado para compreender e intervir. Devem recorrer, se necessário, a ajuda e suporte para eles e para os seus filhos.

Um filho, seja qual for a idade, necessita tanto do pai como da mãe.

 

Psicóloga Clínica Margarida Alegria

Clínica Médica Dentária Nuno Alegria

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