Sou um confesso entusiasta de movimentos empreendedores e do fomento do empreendedorismo, embora goste cada vez menos da palavra que atualmente tudo em si alberga e parece ser a resposta a todos os males do Mundo. Contudo, o seu significado parece ser cada vez mais diluído e muitas vezes pergunto à plateia que me ouve se sabem o que quer dizer e a confusão reina na explicação. Se é algo tão falado, devia ser simples. Mas não o é e eu quero contribuir ainda mais para a confusão. Aqui vai:

Empreendedorismo NÃO É criar empresas!!

Já perdi a conta ás vezes que me disseram que a taxa de criação de empresas subiu. Óptimo (ou talvez não, porque se fechar uma grande empresa e os novos desempregados recorrerem a Iniciativas Locais de Emprego via IEFP para abrirem três cafés a contabilidade diz que fechou uma empresa e abriram três)! Por isso não gosto de focar este fenómeno da criação administrativa de organizações. O foco tem que estar na criação de produtos e serviços novos que venham dar resposta a necessidades observadas. O empreendedor tem que se focar no que sabe fazer e no que desenvolveu e aplicar ai todo o seu conhecimento, tempo e dedicação. É no desenvolvimento de novos produtos e serviços que a sua ação se pode tornar determinante para o seu sucesso, não a perder tempo com questões administrativas de gestão de empresa. Mas continuamos a financiar e a atribuir fundos genericamente para a abertura de empresas e não a atribuir a mesma importância (de fundos de acesso mais universalizado) à criação de novos produtos e serviços, ao registo de patentes, propriedade intelectual, modelos de utilidade e ao acesso a modelos de licenciamento de produtos ou serviços para terceiros protegendo o seu autor.

Um inventor que crie um produto relevante tem obrigatoriamente que abrir a sua empresa? Tem que ser também gestor, onde não tem competências? Esse produto não pode fazer mais sentido ao ser incorporado numa organização já existente, garantindo mais competitividade a esta e garantindo ao seu autor a criação da sua oportunidade de trabalho (um dos grandes argumentos do Empreendedorismo)? E sabendo que em Portugal a taxa de mortalidade das empresas nos primeiros 5 anos anda na volta dos 70%, esta não podia ser uma forma de integrar empreendedorismo em empresas existentes aumentando a probabilidade de sobrevivência dos projetos?

Ainda recentemente saiu um novo programa Invest Jovem onde se garante apoios para a criação do próprio emprego via criação de empresa. Continuamos a apostar em criar negócios com base na geração de divida em vez de fomentar o aparecimento de produtos e serviços diferenciados (nem toda a inovação / invenção sai das universidades, mas aqui também convém ler sobre a taxa de conversão de investigação em negócios). Trabalhando com pessoas dos mais diversos países, tenho cada vez mais a convicção de que devemos apostar na fase pré-empresa, apostando no desenvolvimento de ferramentas diferenciadoras. Onde elas vão ser operacionalizadas (se numa empresa própria, se incorporadas numa empresa existente, licenciada a diversas empresas) não deve ser o que define o empreendedorismo, mas apenas a consequência do trabalho efetuado. Mesmo que demore mais tempo a limpar alguma das longas listas de desemprego. Mas também aqui deveremos querer adoptar medidas com sustentabilidade e não paliativos de efeito rápido, porque ao fim do dia é de pessoas que estamos a falar.

 

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Autor:

Frederico Rosa

Gestor

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