De acordo com o último Inquérito às Condições de Vida e Rendimento, realizado em 2013 pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e cujos resultados definitivos foram agora divulgados, a taxa de cidadãos portugueses em risco de pobreza ascendia, em 2012, a 24,8% da população, ou seja, um quarto do povo português.

Esta proporção de pessoas em risco de pobreza, que teve em conta uma linha de pobreza (60% da mediana do rendimento por adulto, que, para os burocratas e Bruxelas, corresponderia actualmente em Portugal a 408,00 € mensais) calculada com base na variação do índice de preços ao consumidor, cresceu 7% relativamente ao ano de 2009 e 3,5% face ao ano anterior (2011).

Já quanto à população infantil, a situação é ainda mais dramática – em 2012, registava um risco de pobreza de 30,9%, equivalente a um agravamento de 4,8 pontos percentuais (p.p.) face ao ano de 2011 e 8,5% relativamente ao ano de 2009.Por outro lado, e ainda de acordo com os resultados do mesmo inquérito do INE, a proporção da população em risco de pobreza ou exclusão social – integrando aqui as pessoas em risco de pobreza, as que vivem em agregado com intensidade laboral per capita muito reduzida (pessoas com menos de 60 anos que viviam em agregados familiares em que os adultos entre os 19 e os 59 anos – excluindo estudantes – trabalharam em média menos de 20% do tempo de trabalho possível) e ainda as que se encontram em situação de privação material severa – isto é miséria extrema – essa proporção era de 27,4% em 2013, verificando-se um aumento superior a 2 p.p. face ao valor de 25,3% no ano anterior.

Também aqui, a população infantil é a mais sacrificada com a política do governo de traição nacional PSD/CDS: em 2012, o risco de pobreza ou exclusão social era de 27,8% e, em 2013, subiu para 31,6%, isto é 3,8 p.p.

Assinale-se ainda que a taxa de risco de pobreza dos desempregados alcançou os 40,2% em 2012, mais 1,9 p.p. e que, pela primeira vez, em 2012 a mesma taxa para os agregados familiares com uma ou mais crianças (entre 23,7% e 40,4%) ultrapassou o risco de pobreza das pessoas que vivem sós.

Todos os indicadores utilizados para medir a pobreza no nosso país – insuficiência de recursos da população em pobreza consistente, taxa de intensidade da pobreza – traduzem um aumento crescente da miséria.

Isto significa, como sempre o denunciámos, que o número de vítimas da política de exploração, de roubo do salário, do trabalho e das pensões e das reformas, a redução brutal e impiedosa das prestações sociais, designadamente, dos subsídios de desemprego e de doença, não parará de crescer enquanto este governo de traição nacional não for derrubado e Cavaco não for corrido da presidência da República e não se repudiar a dívida e Portugal não sair do euro.

A pobreza não se erradica investindo beatificamente no negócio da esmola ou com declarações compungentes de toda a espécie de sacristas, autores e cúmplices dos planos de ajustamento com que entregaram o país à Tróica e aos interesses de rapina do imperialismo germânico.

A pobreza erradica-se, começando por erradicar os traidores e formando um governo democrático e patriótico.

 

Artur Antunes

Membro da Assembleia de freguesia da União das freguesias da Baixa da Banheira e Vale da Amoreira, eleito pela lista do PCTP/MRPP

Membro do Comité Central do PCTP/MRPP

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