Em plena quadra natalícia é costume falar-se de solidariedade e multiplicam-se as ações de apoio às várias minorias, seja para familias inteiras carenciadas ou crianças que não vão ter um Natal cheio de presentes, são aproveitadas todas e quaisquer oportunidades para apelar ao sentimento daqueles que de alguma forma podem contribuir, ainda que pouco seja, pois verdade seja dita todos estamos mal. Imbuídos num espirito natalicio de partilha e abnegação altamente nobre, só ao nível do grande Salvador Jesus Cristo, praticamos na realidade atos de puro consumismo que apenas agradam aos grandes grupos económicos e que geram a já habitual noticia de que se bateu o recorde de levantamentos no multibanco ou de valores transacionados.

Estamos ainda a breves momentos de entrar na segunda parte desta quadra, a passagem de ano, onde rapidamente todos os sentimentos deixam de ser canalizados para a familia e passam a ser direccionados ao EU. Torna-se frequente falar em Resoluções de Ano Novo em que é suposto refletirmos sobre o que devemos melhorar para o novo ano que chega, há quem faça listas com vários pontos a melhorar. Mas o culminar deste egocentrismo surje precisamente à meia-noite, altura em que não podem faltar as 12 passas e o desejo que com elas se pede.

É uma quadra em que se multiplicam os emails, os likes e os SMS de quem não se conhece ou de com quem se fala apenas uma vez no ano, esta vez!

Exorto a quem dispendeu alguns minutos da sua vida nesta atarefada época do ano a ler estas linhas, que junte às suas resoluções de fim de ano e que partilhe com familiares e amigos aquando da ceia de Natal, o problema de uma outra minoria, a NAÇÃO. Sim o nosso país está mal e precisa de uma democracia sã, onde o poder esteja efetivamente do lado do povo.

É tempo então de refletir e ganhar consciência de cidadania, onde não podemos constantemente invocar os direitos que foram adquiridos ao longo dos anos e em seguida descurarmos um dever tão simples e tão importante quanto o VOTO. Se a politica e os politicos são todos iguais a culpa é nossa que continuamos a preferir estar no nosso canto refastelados em vez de usarmos uma hora da nossa vida num certo domingo que apenas ocorre de 4 em 4 anos e votarmos. E se ainda assim não se sentirem ouvidos, então é altura de se realizar um milagre, mais uma vez apenas à altura do grande Salvador Jesus Cristo, “levantem-se e andem”, pois movimento gera movimento e se olharem à volta já existem movimentos que se ganharem visibilidade podem abalar o atual estado da politica do nosso país.

Não se pode permitir que a maioria em época eleitoral seja a abstenção, onde quem ganha são as praias, os sofás e o tipico comodismo que nos absorve diariamente.

É premente perceber e fazer perceber os que andam mais alheados, do poder que o voto tem e das ferramentas que a sociedade dispõe para se fazer ver e ouvir.

É premente incutir desde cedo esta consciência civica e participativa para que a democracia pela qual tanto se lutou, não se torne ditatorial e ficticia aos olhos externos.

É tempo de sermos LIVREs é TEMPO DE AVANÇAR, bom Natal, boas reflexões!

Nuno Rolo

Membro do Núcleo Territorial de Setúbal do Livre

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