No passado dia 11 de novembro foi inaugurado em Setúbal o novo centro comercial Allegro, um novo espaço comercial que ampliou a infraestrutura existente. Este é sem dúvida um investimento muito importante e deve ser analisado numa perspetiva local, mas também nacional.

Este investimento representa para o Concelho de Setúbal o reconhecimento da sua dimensão e potencialidade enquanto verdadeira capital de distrito. Ao longo das últimas décadas os grandes centros comerciais e as grandes superfícies aumentaram de forma significativa em todo o território Português, podemos até questionar se este crescimento ocorreu da melhor forma e se efetivamente faz sentido existirem tantos por km2, já para não falar do impacto negativo que os mesmos tiveram no comércio tradicional.

Estes são aspetos relevantes e a sua discussão deve ser mantida em todos os fóruns de cidadania e nos órgãos executivos e deliberativos.

Mas este é um investimento privado, que gerou na sua conceção e construção emprego a muitas pessoas e que vai certamente gerar muitos postos de trabalho na sua normal atividade.

Estes são sinais muito importantes para a economia e o facto de este investimento ter avançado num período de enorme instabilidade e retração, fruto do memorando de entendimento a que Portugal esteve submetido, revela que existe confiança para investir e evidência que muitas das opções tomadas, começam agora a dar os seus frutos.

A aposta nas empresas e nos empresários como alavanca económica é uma aposta ganha, só desta forma podemos crescer e criar empregos e isto contraria em muito, todos aqueles que não conseguem imaginar um País sem que o estado assuma um papel monopolista do investimento. A cegueira da obra pública a qualquer custo teve graves consequências para o presente e vai manter hipotecadas as gerações vindouras.

O nosso compromisso tem de ser claro e objetivo, desonerar as futuras gerações de encargos injustos em obras que só serviram para alimentar alguns egos.

Esta obra revelou mais uma vez a enorme incongruência do PCP, que alimenta o seu discurso político nacional contra os grandes investidores e que transforma localmente estes investimentos em bandeiras eleitorais. Nunca é demais repetir, principalmente aos eleitores do PCP, que se Portugal fosse governado seguindo as políticas deste partido, dificilmente estaria a ser inaugurado um novo centro comercial em Setúbal e os restantes existentes no distrito, também não existiriam.

A grande preocupação dos autarcas deverá ser, a de perceber e encontrar soluções para os efeitos que a existência destes espaços comerciais provoca no comércio tradicional, é verdade que os exemplos existentes confirmaram a regra e os centros das cidades ficaram mais desertos. Este é o grande desafio dos autarcas, sabendo que não cabe às autarquias resolver os problemas dos empresários e que estes devem criar fatores de atratividade para os seus estabelecimentos, não podem estas mesmas autarquias ficar de braços cruzados e deixar que o coração da sua cidade pare.

 

João Viegas

Vice-Presidente da CPD de Setúbal do CDS-PP

Deputado na Assembleia da República