Numa Semana em que tivemos a visita pomposa e honrosa dos Reis de Espanha – com direito a passadeira vermelha e recepção afectuosa do Super PR Marcelo – para furor da imprensa “cor-de-rosa” que tanto se esforçou para captar o melhor ângulo do fato do Rei Filipe VI e do vestido (desta vez sem decote) da Rainha Letizia para satisfação e curiosidade daqueles que por cá, acreditam na Branca de Neve, fomos surpreendidos (?) com o pedido de demissão de António Domingues do cargo de CEO da Caixa – “aqueceu” a cadeira menos de 3 meses.
Quando aceitou o convite para liderar a CGD, Domingues estava consciente dos colossais desafios que tinha pela frente – pôr o banco novamente a gerar lucros, após cinco anos consecutivos de resultados negativos. Quem não se lembra dos 500 milhões de prejuízos? AD aceitou o desafio mas fez algumas exigências: recapitalizar o banco, ter luz verde para fechar balcões e reduzir o número de trabalhadores – medidas que achava serem suficientes para tirar as contas do banco do “vermelho”.
Antes de tomar posse, AD teve que enfrentar batalhas alheias à gestão propriamente dita – BCE não concordava com alguns dos nomes propostos para o conselho de administração, por terem pouca experiência de banca e o elevado salário que iria auferir começou a ser contestado em acesos debates televisivos. Mas Domingues mantinha-se firme e avançou cedendo aos caprichos de Bruxelas e alguns dos nomes que havia escolhido, não tomaram posse a 31 de Agosto.
Até aqui, parecia que a Caixa tinha encontrado a solução para ter uma administração nova. Eis que surgiu mais uma “batalha” para Domingues e a sua equipa – Lei 4/1983 – e esta foi letal.
Não percebo como gestores públicos queriam se furtar a obrigatoriedade de entregar as declarações dos rendimentos e património ao Tribunal Constitucional. De que teriam medo? Pensavam em esconder alguma coisa depois de cessarem funções? Marcelo, no seu estilo afectuoso, meteu fim na polémica e lembrou a tempo que a Lei 4/1983 era para ser cumprida e que os gestores da Caixa não seriam excepção.
Como diz a sabedoria popular, “rei morto rei posto”… Eis que o Governo, qual golpe de “geringonça” mágica, não tardou a encontrar alternativa a AD. Paulo Macedo é o senhor que se segue na Caixa.
A bem da Caixa, esperemos que Macedo tenha equipa capaz de convencer o BCE e que o Governo não se esqueça de alterar novamente o estatuto do gestor público para que não haja mal entendidos. Quanto ao salário do CEO da Caixa, será sempre tema para discussão! Para PM colocar a Caixa no rumo dos resultados positivos, experimente o que António Domingues se preparava para implementar. Com excepção do despedimento em massa. Já temos gente a mais no desemprego! Já agora, não negaria a apresentação da minha declaração ao TC se fosse para ganhar mil euros por dia, mal terminava de dar o nó na gravata.

 

Até para Semana, malta!

 

Assina: Manuel Mendes

Gestor Imobiliário

PS (Post Scriptum): Manuel Mendes opta por escrever na antiga grafia da língua de Camões.