Falar de Educação não é fácil, apontar erros e encontrar soluções de nada serve, quando o poder de decisão supera a razão.

Falar num tema tão polémico como “A Escola a Tempo Inteiro”, levanta várias questões e terá várias opiniões.

A Escola a Tempo inteiro, no 1º ciclo, traduz-se num horário das 7h30m às 19h30m, entre CAF (componente de apoio à família), Componente Letiva, AEC (actividades de enriquecimento curricular), no caso da Pré nas AAAF (Actividade de Animação e Apoio à Família) e mais CAF.

Entendemos a necessidade que as famílias têm, em assegurar a ocupação do tempo das suas crianças. Infelizmente, no nosso país, os pais estão muito tempo fora, entre o trabalho e o trajeto casa/trabalho, e um local seguro para as crianças estarem é essencial. Nos tempos que correm, obter esse benefício de uma forma gratuita ou a baixo custo, é uma mais-valia.

Se olharmos para este tema de forma crítica, facilmente deparamo-nos com algo preocupante, as crianças que por opção dos pais, seja por não ter com quem as deixar, ou em alguns casos, para manter a criança ocupada, cumprem um horário, muitas das vezes, superior ao de um trabalhador comum.

É bom não esquecer qual a real função da escola “Transmitir conhecimento”, “Ensinar”, num tempo adequado às idades abrangentes (entre os 4 e 10 anos), não esquecer que são crianças, com necessidade de brincar, de se relacionar com outras crianças. Há melhor forma de o fazer do que na brincadeira?

Esta carga horária trará algum benefício a estas crianças? E as escolas? Têm boas condições de funcionamento? Com o número de assistentes operacionais necessárias?

O empenho que é dado para manter as crianças ocupadas é evidente. Todos sem excepção, professores, assistentes operacionais, técnicos, associações de pais, etc., fazem o melhor para que resulte. Pelas estatísticas internacionais, somos dos países em que os alunos, essencialmente os de 1º ciclo, mais tempo passam na escola. Errado. Temos de encontrar alternativas.

Não queremos com isto dizer que estas atividades não devam existir, claro que devem, são também elas enriquecedoras, tendo em conta que para muitas crianças, no que se refere à prática físico motora é a única oportunidade que têm, por falta de tempo ou de recursos familiares, mas devem ser pensadas e se possível executadas num espaço que não seja o das aprendizagens curriculares.

A Escola não deve ser vista como “depósito”. A Educação é uma consequência da sociedade, onde este tema extravasa para além da própria Educação.

Podemos ocupar o tempo das nossas crianças retirando-as do espaço escola, para que quando lá se encontrem estejam motivados para aprender, para absorver todos os conhecimentos com empenho e vontade, não cansados de um espaço que os transforma nos “Novos Operários”, e os obriga a estar mais tempo que os adultos nos seus locais de trabalho.

Vamos todos refletir/ponderar, para tentar encontrar soluções. Para o equilíbrio da sociedade, há que trabalhar para uma Educação concreta, tranquila, equilibrada, com o apoio da comunidade envolvente, pois só assim, conseguiremos alcançar algo que permita que os nossos filhos no presente e no futuro possam ser pessoas equilibradas e felizes!

 

As Coordenadoras da Educação da Plataforma 2830

Isabel Martins

Sónia Candeias

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