Os alimentos transgénicos são fruto do grande desenvolvimento biotecnológico observado nas últimas décadas. São maus? São bons? Tanta “desinformação” surge nas redes sociais sob forma de artigos pseudo-científicos que pecam pela má apresentação de factos (científicos por sinal). São descontextualizados e geram algum receio na população. É por isso importante esclarecer sobre o que são realmente esses ditos alimentos transgénicos. Ora bem, são alimentos derivados apenas de produtos biológicos agrícolas que foram geneticamente modificados, pois ainda não é permitido criar animais transgénicos para consumo humano. Mas o que é modificar a genética da planta? Sabemos que as nossas características como a cor dos olhos ou do cabelo são todas elas conferidas pelo nosso material genético, o ADN ou DNA. Em cada uma das nossas células há um par de genes que codificam as proteínas que nos fazem ter os olhos azuis ou castanhos, etc.

Os outros seres vivos, plantas incluídas, têm todos o seu genoma ou conjunto de genes, que lhes confere as diversas características e propriedades exclusivas. Os cientistas atuais sabem como tirar um gene de um organismo e colocá-lo noutro, ou seja, modificar geneticamente este último, para lhe dar algumas das propriedades do primeiro. Esta prática não é assim tão estranha. No passado cruzavam-se burras com cavalos para obter as mulas e os machos grandes e fortes. Agora faz-se em laboratório e é um bocadinho mais complexo, mas ao mesmo tempo é especificamente escolhida a propriedade exata, ou o gene exato, que se quer transferir para o organismo. E para quê modificar? Para melhorar os produtos alimentares, aumentar o seu teor nutricional e a resistência a pragas, bem como para reduzir ou anular a necessidade de recorrer a pesticidas químicos.

Atualmente a legislação portuguesa permite a produção agrícola do “milho-Bt”. Este milho produz um inseticida de origem biológica, que evita recorrer à pulverização dos campos com pesticidas químicos. Parece ótimo porque não se usam pesticidas e ao mesmo tempo o composto é de origem biológica e não um químico. E eis que surge um daqueles factos de pura “desinformação pseudo-científica”. Na verdade nós somos feitos de compostos químicos, pois a água e o oxigénio são químicos. Nem ser químico é necessariamente ser mau, nem biológico é ser bom. Veja-se os cogumelos venenosos que são fruto de produção biológica, sem fertilizantes ou pesticidas. A dúvida que deve ser colocada é: “se comermos esse inseticida natural que está no milho-Bt, faz-nos mal?” Logicamente que não! Se fizesse, não teria sido permitido em Portugal.

Há décadas que os cidadãos americanos servem de cobaias para avaliar se é ou não venenoso, verificando-se que não é. Por isso o seu cultivo e o seu consumo é legal na Europa e em Portugal. E alergias? Estes alimentos podem causar alergias? Em algumas pessoas, talvez sim. Mas há pessoas alérgicas aos amendoins, aos morangos ou chocolate e não deixamos de os comer porque alguém (que não nós) é alérgico. Será que também vou ficar geneticamente modificado se os comer? Não. Nem nos transformamos em alfaces ou animais quando comemos saladas e bifes, nem ficamos transgénicos se comermos derivados do milho-Bt ou de soja transgénica, que embora não seja cultivada em Portugal, nos chega indiretamente às prateleiras dos supermercados, se formos ler os rótulos com atenção.

Em conclusão, os alimentos transgénicos não são muito diferentes dos originais e se não estivessem rotulados (porque é legalmente obrigatório) nem os saberíamos distinguir. Não se deve parar o desenvolvimento tecnológico, deve-se apenas legislar adequadamente e com conhecimento de causa, garantindo que haja um controlo adequado do cumprimento legal, como já se faz em Portugal.

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