A ambição do Barreiro é, cada vez mais, tornar-se numa cidade mais cosmopolita, aberta a novas experiencias, vivencias, culturas e visitantes. Vemos uma cidade próxima da capital que pode tornar-se mais dinâmica cheia de criação cultural fruto de muita persistência e paixão dos seus habitantes e agentes que continuam a remar muito contra a maré e não se deixaram abater. Vemos também a herança do associativismo a “surgir à tona” com a organização de pessoas a interessar-se pelo aproveitamento de espaços antigos, fazendo tentativas de reutilização de velhos prédios e objetos que ganharam nova vida como é o caso do Antigo Edifício dos Bombeiros Sul e Sueste. Contudo, preocupamo-nos com estes novos tempos.

As dificuldades são muitas, os orçamentos reduzidos, os discursos repetidos sem que daí resulte um ambiente de esperança, convicção e segurança.

Para nós este tempo é encarado de forma diferente, pois existem soluções, existem caminhos e a única coisa que temos que fazer é percorrer os caminhos até chegar às soluções. Seja em que área for, na cultura, na educação, na saúde, no comércio, entre outras áreas, é necessário trabalhar mais, dar prioridades e torna-las evidentes, torna-las realidade, é necessário procurar a excelência.

Não há resultados sem trabalho, sem persistência, seja em que área de atividade for.

 

Centro do Barreiro – Comercio tradicional

O centro do Barreiro está a definhar!

Já não é uma especulação ou uma sensação trazida por sinais que se vão sentindo localmente, já constitui um facto presente para todos, tornou-se evidente. Cada vez mais existem lojas a fechar, montras vazias, aumentando o fator de repulsão da cidade, fator que empurra as pessoas cada vez mais para fora.

O comércio tradicional sejam as lojas de retalho, livrarias, os pequenos cafés ou as mercearias que foram resistindo tantos anos, vão fechando portas para dar lugar a espaços vazios, salvo honrosas, mas poucas, exceções. Com isso, a cidade vai acabar por se perder. Torna-se vazia a determinadas horas, torna-se insegura.

É vital para o Barreiro inverter a imagem instalada de uma problemática apatia que conduz a uma permissividade generalizada de todos face ao instalar da progressiva degradação do tecido comercial e das regras de uma correta apropriação dos espaços. Num primeiro momento algumas pessoas sentem-se indignadas, mas rapidamente se encolhe os ombros perante uma Rua Miguel Bombarda “suja” de carros em segunda fila e estacionados em zonas proibidas onde as lojas vazias proliferam contiguas a passeios exíguos, irregulares que acompanham paredes sujas e cheias de fios mal arrumados.

 

Não tenhamos dúvidas que um centro de cidade estruturado, com regras constitui, também, uma referencia forte e cria uma identidade que reflete a imagem de sua vivencia tornando-se, por sua vez, num fator de atratividade.

É urgente tomar medidas para que a identidade da cidade não se perca, para que seja possível a permanência dos habitantes e o regresso das famílias ao centro da cidade.

É fundamental que se imponha uma correta apropriação dos espaços da cidade. É importante devolver ao Barreiro uma melhor e mais salutar urbanidade.

O que faz o Barreiro ser o Barreiro é precisamente não ser, nem nunca ter sido, uma cidade de pessoas conformadas e que desistem às primeiras dificuldades.

 

Barreiro | Um centro por dinamizar

É no contexto das adversidades que surgem os momentos mais criativos, e por isso importa aproveitar as oportunidades para pensar, refletir, criar e aproveitar oportunidades e soluções.

Percebida que está a importância de intervir no centro da cidade, porque atrairá mais gente para visitar o Barreiro, porque fomenta o ambiente turístico, porque auxilia à mudança de imagem estereotipada e negativa, porque permite às famílias residentes terem gosto em permanecer na sua cidade num ambiente saudável, seguro e assim consumir os bens que necessita sem despender mais com transportes, porque torna a economia local mais pujante e geradora de externalidades positivas e um ambiente mais propicio ao investimento, e porque gera postos de trabalho, importa apresentar ideias e consensos em torno de soluções facilitadores deste universo de resultados.

Em primeiro lugar importa perceber que é fundamental olhar o centro do Barreiro como uma área constituída por um universo de oferta distinta e complementar e não um somatório de lojistas. Importa criar um sentido de união e identidade coletiva e importa salientar que a imagem projetada deve ser percebida como um único todo, uma área onde eu posso satisfazer minhas necessidades de consumo, de lazer e ócio e não como uma rua onde está a loja “X” ou “Y” que, obviamente, também lá estarão, mas não será esse o elemento de identidade.

Aproveitando uma alegoria, devemos olhar para o comercio presente no centro do Barreiro como um enorme condomínio onde existem partes privadas, mas também existem partes comuns com as quais todos beneficiam, sobre as quais todos devem ajudar a manter e dinamizar.

Numa contagem muito rápida de passagem pelos principais eixos comerciais, Av. Alfredo da Silva e Rua Miguel Bombarda (até ao túnel) foi possível constatar um universo de aproximadamente 115 lojas (comercio e serviços), não contabilizando as áreas dos antigos centros comerciais “Sol Por”, “Forte Center”, “Alfredo da Silva”, “Bombarda”, “Forum”, Diamante, ou do atual Forum Barreiro, nem ateliers, escritórios, gabinetes de estética e outras atividades que funcionam ao nível de antigos pisos de habitação hoje reconvertidos.

Será que alguém tem ideia que nestes dois eixos existem mais espaços para comércio que a oferta presente no Fórum Barreiro, que detém 109 lojas?

O Barreiro possui, assim, um universo de aproximadamente 224 lojas.

Se formos analisar um pouco mais em detalhe, trata-se de uma oferta bem superior às 160 lojas do Forum Montijo e já a caminho das 248 lojas de oferta no Forum Almada.

Pensamos ser muito importante refletir sobre este aspeto, uma vez que este universo de oferta, acrescido das infraestruturas já existentes, permite olhar para o centro da cidade com o potencial necessário para implementar conceitos já experimentados em outras cidades como Gijon, Famalicão, Málaga, Huelva, entre muitos outros exemplos, onde já está muito avançada a implementação do conceito de CCA, Centro Comercial Aberto.

 

 

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Olhando para o panorama regional, este conceito assume-se como uma forma de transformar o centro da cidade numa atratividade turística e um polo de comercio a rivalizar com outras áreas comerciais já implantadas, mas nas quais não existem relações de proximidade com o Rio Tejo como existe no Barreiro, não existem passeios ribeirinhos onde se pode contemplar a beleza de Lisboa, não existe a possibilidade de passear na praia ao por do sol antes de regressar, áreas com interesse patrimonial, entre muitas outras ofertas.

Claramente o Centro do Barreiro já possui características bem apelativas face a outros centros urbanos podendo, ainda, vir a tornar-se uma referência do setor terciário na Península de Setúbal e na AML.

 

Proposta de acção – CCA |Barreiro Comercio Entertenimento e Oferta

Centro Comercial a céu aberto -CCA ou Centro Comercial Urbano – CCU
O Conceito

 

O Centro Comercial a Céu Aberto (CCA) será um projeto inovador na Área Metropolitana de Lisboa, mas já utilizado em outras cidades (nacionais e estrangeiras), e tem por finalidade o aproveitamento e transformação dos estabelecimentos comerciais e suas áreas envolventes em zonas de recreio e de comércio, em tudo semelhantes aos centros comerciais já existentes.

O Centro do Barreiro possui todas as condições para funcionar como um Centro Comercial a Céu Aberto (CCA), a Cidade já tem estacionamento, transporte à porta, serviços, faltando somente identificar esta zona como um verdadeiro Centro Comercial, perfeitamente integrado no habitat, com espaços de ócio, com equipamentos de lazer, com equipamentos culturais e de apoio aos jovens e às famílias, com comércio diversificado e especializado, que se devidamente adaptado pode contribuir para recriar um novo espaço de urbanidade.
A ideia de recriar uma política de urbanismo comercial irá exigir uma mudança de mentalidade e de atuação da Administração, dos comerciantes da Cidade, bem como dos novos operadores. Importa trabalhar em conjunto, envolver a população, gestores, operadores, comerciantes, arrendatários, fornecedores, atuais/futuros empresários e funcionários numa perspetiva de confluência de interesses as entidades Publico / Privadas.

É urgente viabilizar um comércio moderno e de qualidade, capaz de satisfazer as necessidades dos residentes e de atrair novos consumidores.

 

Os agentes

A análise das principais experiências de revitalização de centros urbanos, realizados tanto na Espanha como no exterior (Estados Unidos, Canadá, Grã-Bretanha, França, Bélgica e Suécia, basicamente), diz-nos que, para alcançar a revitalização comercial e centralidade, é necessário estabelecer um modelo para as relações entre todos os atores envolvidos na área (empregadores, os vizinhos, os proprietários, o governo, etc.), levando à criação de uma parceria global com a gestão abrangente.

 

 

 

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Nota: Adaptado do projeto CCA de Málaga

 

Neste contexto consideramos importante, a exemplo do que sucede em outras cidades, apostar na criação da figura do “Gestor de Centro Urbano”, que constituirá uma figura que harmonizando conceitos, procurará ser o elo de ligação das entidades impulsionadoras deste novo projeto de cidade, que terá a responsabilidade de negociar parcerias, gerir sectores de Cidade nos aspetos ligados ao estado e finalidade do edificado, à gestão de espaços comerciais disponíveis, à limpeza e à segurança, à organização do tecido económico e à mobilidade, à dinamização de eventos e até à rede social.

 

Claro está que esta proposta carece de amadurecimento fruto da participação de entidades e cidadãos, carece de vontade dos intervenientes promotores no sentido de apoiar esta figura, sendo que os benefícios para o comércio tradicional não tardarão aparecer.
Benefícios do CCA Identificados

 

 

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Nota: Adaptado do projeto CCA de Málaga

 

 

Este projeto fará com que quando alguém visitar o Barreiro seja possível perceber que o conjunto de estabelecimentos concentrados no centro da cidade faz um todo, porque estão organizados e, que para além de venderem, prestam outros serviços, sendo com isso possível e mais fácil fidelizar os clientes.

Com estas sinergias reunidas, o cliente percebe que está a comprar numa comunidade organizada e, portanto, sente-se bem.
Fatores chave para Sucesso do CCA

De acordo com este modelo, os fatores-chave de sucesso do CCA são agrupados em quatro áreas: Acessibilidade, atrações, comodidades e ação.

 

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Nota: Adaptado do projeto CCA de Málaga

Acessibilidade e Comodidades, correspondem às necessidades de “ambiente”, as atrações e ações são equivalentes à “oferta” e à “gestão”.

Como Fazer?

Temos consciência que é particularmente difícil explicar aos pequenos comerciantes que esta iniciativa inovadora já experimentada com sucesso em França e Espanha irá trazer mais-valias para o negócio. Temos também consciência que a situação financeira do comércio tradicional não detém a solidez desejável para alavancar investimentos avultados, mas sabemos que todos juntos podemos conseguir resultados com menor esforço e, em alguns casos, com quase nenhum esforço.

Pensamos ser mais apropriado começar por esclarecer que o novo Quadro Comunitário de Apoio 2014/2020, através da linha de financiamento “Comércio Investe” existe a possibilidade de apoio a projetos na área do Retalho.

 

“O Comércio Investe  é um apoio que é dado a quase todas as empresas enquadradas nas CAE 47 (comércio a retalho), privilegia projetos que promovam a criação de fatores de diferenciação claros que possibilitem melhorar os níveis qualitativos da oferta comercial do comércio de proximidade, principalmente aquele que se concentra em centros urbanos ou que valoriza o produto interno. 

O incentivo financeiro a conceder assume a natureza de incentivo não reembolsável, correspondente a 40 % das despesas elegíveis (podendo ir até aos 50%), não podendo ultrapassar o valor de 35.000,00 Euros de incentivo por projeto individual.”

http://invest2020.pt/pt/candidaturas-apoios-ao-investimento/comercio-investe

Recentemente foram abertas candidaturas no âmbito do “Comercio Investe”, tendo terminado o prazo da 2ª fase de candidatura em 13 de Abril de 2015.

Sendo espectável que venham a surgir novas fases de candidaturas, importa avançar com a reflexão e preparação de projetos focados para a venda, podendo o comerciante, ou agrupamento de comerciantes, envolver-se para renovar o negócio: mobiliário (balcão, expositor, máquina registadora,…); remodelação de fachada e área de venda; vitrinismo; material de informática (computadores, tablets, software,…) e internet (sites, redes sociais,…); certificação (logotipos, cartões, telas de publicidade,…).

Para mais informações consultar o website do IAPMEI em:

http://www.iapmei.pt/iapmei-art-03.php?id=2906

http://www.apoios2020.pt/noticias.html

Em face do exposto, considerando o universo de lojas existentes no centro do Barreiro, considerando um projeto global de CCA – Centro Comercial Aberto bem estruturado, começa a fazer sentido um maior dialogo e a tentativa de articulação entre entidades e comerciantes para a avaliação da possibilidade de uma candidatura que pode vir a alavancar o financiamento para a implementação de um projeto para revitalização comercial e social do Centro do Barreiro.

PORTUGAL 2020 | 2015 “vai ser o ano com o maior volume de investimento com fundos comunitários”

Este vai ser o ano com o maior volume de investimento com fundos comunitários. A garantia foi dada pelo secretário de Estado do Desenvolvimento Regional justificando a afirmação com o facto de, em 2015, estar a ser concluída a execução do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) e estar prevista a execução de 5% do Portugal 2020. No entanto, Manuel Castro Almeida, que tem por característica ser muito cauteloso, disse: “Tenho a certeza que será mais”. “São mais de quatro mil milhões de euros de fundos europeus que vamos injetar na economia”, precisou o responsável.

http://www.apoios2020.pt/noticias.html

 

Fundo Municipal de Gestão

Ao que acabamos de descrever parece-nos importante acrescentar a ideia de Fundo Municipal de Gestão. Consideramos que esta proposta deverá ser entendida como um elemento chave para a continuidade do projeto que pode ser alavancado com fundos comunitários, seja na futura criação de um programa de animação de rua, na produção continuada de suportes publicitários e de divulgação, promoções ou mesmo para realização de obras de emergência que não podem esperar.

Para esta fundo devem contribuir todas as entidades envolvidas, quer sejam publicas ou privadas. A título de exemplo, imaginemos um universo de 200 comerciantes e que cada comerciante contribui com um euro (1€) por dia para o Fundo Municipal de Gestão, perfazendo 365€ ano por comerciante num total anual de 73mil euros que podem ser investidos para beneficio coletivo. Se a este fator o Município considerar importante para a cidade a realização de apoio ao projeto e contribuir com aproximadamente 30mil euros (aproximadamente 0,08% do orçamento camarário) já é possível ultrapassar a barreira dos 100 mil euros por ano em investimento no setor do comércio tradicional e na qualificação do centro da cidade como um elemento identitário capaz de atrair pessoas e investimento. Aqui claramente que os parcos 30 mil euros investidos pelo município serão motivo de retorno através de IMI, taxas e licenças associadas a atividades económicas, imposto automóvel fruto de novas viaturas adquiridas pelas empresas, projetos de novas atividades económicas, esplanadas (…) que irão acontecendo ao longo do ano e, ainda, a potenciação da mudança de imagem negativa e estereotipada que existe sobre o Barreiro. Por outro lado, os 365 euros investidos pelos lojistas serão largamente compensados pela captação de turistas e consumidores que tenham conhecimento da qualidade de estrutura e oferta do comércio tradicional através de campanhas de divulgação e marketing.

Para melhor entendermos, esta situação será semelhante à gestão de um condomínio habitacional, para a qual todos contribuímos para um fim comum, só que no presente caso esse investimento será gerador de retorno para todas as partes.

Conclusão:

O CCA é um conceito que gera polêmica e problemas a partir do momento de sua abordagem. É uma revolução econômica, social e cultural que afeta muitas áreas. Para começar, o conceito é, por vezes, recebido com desconfiança porque carece de uma organização, colaboração e muitas vezes cedência por parte dos comerciantes habituados a uma gestão autónoma.

 

Contudo este tipo de projeto pode ser levado a cabo com sucesso, tendo necessariamente que ser participado para conseguir um equilíbrio entre a visão estratégica de longo prazo e os resultados necessários para encorajar os comerciantes em curto prazo.

Também existe consciência que são frequentes as queixas dos pequenos comerciantes, face às grandes superfícies comerciais, que relegam para segundo plano o chamado Comércio Tradicional.

Porém, entendemos que no caso do Barreiro, considerando que a superfície comercial de maiores dimensões está na continuidade dos eixos de comercio tradicional, considerando que a realidade a fomentar pode ser de complementaridade e de atração de mais pessoas (ao contrario de outras cidades onde as atrações e polos comerciais foram localizados fora dos centros urbanos), considerando a existência de fundos comunitários disponíveis para este setor de atividade, é possível construir um projeto qualificador, dinâmico, e atrativo, gerador de turismo, de dinâmicas económicas e sociais, capaz de requalificar, de revitalizar a cidade e de gerar uma base de identidade coletiva, confiança e entendimento alargado com objetivos comuns.

É importante olhar para outros exemplos, é fundamental aprender com estes desafios e emergir para situações mais favoráveis.

Hoje consome-se muito mais do que se consumia há 30 anos.

Hoje o turismo na AML e em Lisboa, particularmente na praça do comércio junto a transporte fluvial direto para o Barreiro, é muito superior ao que existia à 20 atrás!

O conceito de Centro Comercial a Céu Aberto passa por diversas medidas conjugadas, como o Fundo Municipal de Gestão, que permitirão “puxar” mais consumidores para as ruas da Cidade. O movimento nas ruas é sinónimo de procura e, logo…. de negócio.
Vale a pena a aposta num projeto para o centro da cidade do Barreiro que possa ser estendido (com as necessárias adequações) ao comércio espalhado pelo município.

Vale a pena apostar no Barreiro!

 

http://vrsa-sgu.pt/pt/menu/48/centro-comercial-a-ceu-aberto.aspx

http://agencia-ecoar.com/portfolio_item/inauguracao-centro-comercial-ceu-aberto/

http://www.jn.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Viseu&Concelho=Viseu&Option=Interior&content_id=1726904

http://diarioatual.com/?p=17189

 

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