Quando durante as sondagens telefonam para o telefone fixo e perguntam em quem vai votar, acende-se a luz da desconfiança e quem está a responder sabe que a resposta não é anónima. Afinal aquele número corresponde a um assinante. É como se o Big Brother estivesse a ver e ouvir.

Se o grande medo já estiver mesmo instalado, não vá alguém saber que não vota nos partidos do Governo, na coligação, poderá enganá-los e responder que é neles que vai votar. Com tudo o que se fala de escutas, de coisas que o Correio da Manhã conta, nunca se sabe. O Big Brother está mesmo a escutar. Depois logo se vê. E muitos dirão que votaram naquele que ganhar.

O grande medo tem dezenas de anos em Portugal. Medo de perder o emprego, que é precário, medo de não arranjar emprego, medo de ser deslocalizado. Medo do chefe, medo dos patrões, medo dos pais, medo da polícia, medo do marido. Medo…”Eu não me meto nessas coisas”…Muitas vezes ouve-se pessoas a dizer mal do Governo e dizerem ”podem-me prender se quiserem”. Prender por dizer a sua opinião? Isso era há mais de 41 anos. Todavia dentro da cabeça ficou, mas atenção: na cabine de voto ninguém está a vê-lo…É o único sítio onde pode escolher o que quiser. E saia com um sorriso.

Mas há outro medo que é também vergonha: escolher um pequeno partido. Um clube de 2.ª divisão. Escolher o LIVRE/TEMPO DE AVANÇAR. Até gosta mesmo das ideias e das pessoas, mas nunca o dirá ao telefone nas sondagens e hesita em dizer aos amigos. E mesmo na família…

Vou contar uma história que é uma verdade histórica. Em 1871 o Partido Social-Democrata alemão, que era o partido então mais à esquerda, socialista, dos trabalhadores (o PSD daqui foi roubar esse nome para confundir as pessoas, durante o período revolucionário, era ao principio o PPD), conseguiu eleger para o Parlamento 1 só deputado. Hoje é um dos dois maiores partidos alemães. Vivia-se então uma época de grandes mudanças, era a Revolução Industrial. Hoje vive-se a Revolução Tecnológica, os trabalhadores estão no computador, a maior parte do dinheiro é virtual. Estamos a viver grandes mudanças. Emergem novas forças. Daqui a alguns anos os nossos filhos e netos vão baralhar os nomes dos partidos do “arco da governação” como hoje nós baralhamos os do período da República.

Por isso não há que ter vergonha de apostar na mudança, na novidade, no futuro.

Eu, que já tive tantas vidas e que podia viver à sombra da imagem, não só vou pôr a cruzinha na papoila, no LIVRE/TEMPO DE AVANÇAR, o partido do Rui Tavares, da Ana Drago, do José Maria Castro Caldas, do Ricardo Sá Fernandes, do Daniel Oliveira e de tantos outros, que sabem pensar, como dei a cara por ele e sou cabeça de lista no distrito de Setúbal.

Saia do sofá e vá exercer a liberdade de votar. LIVRE.

Isabel do Carmo

Cabeça de Lista por Setúbal do LIVRE / TEMPO DE AVANÇAR