…. E quando o Manuel reclamou pela liberdade num momento terapêutico,

perguntei-lhe:

O que é a liberdade Manuel?

Liberdade??…Liberdade é poder fazer muitas coisas, mas não quer dizer fazer tudo o que se quer!! Porque há coisas que queremos fazer mas não podemos, não é?? Mas eu sou livre à mesma!! Como aqui! Eu posso escolher o que quero fazer enquanto aqui estivermos, há regras, que são poucas até…acho eu…mas eu escolho o que quero fazer, dizer, pensar…sei lá essas coisas. E não preciso de estar sentado numa secretária, não preciso estar a fazer as mesmas coisas num caderno ou num livro. Aqui faço coisas, as minhas coisas, como me apetece, como me estou a sentir. Porque sou eu a fazer isso, percebes, livre!!

E como é isso de ser livre à mesma?

Ser livre é assim olha é eu poder tocar com as minhas mãos nos meus pés e conseguir! Vês??! É mexer-me quando tenho vontade e outras coisas…por exemplo posso agarrar naquela folha branca e pensar o que quero fazer e fazer…e só com um lápis ou caneta ou posso fazer muitas muitas coisas que a minha cabeça quiser. Mesmo que as outras pessoas não gostem, percebes? Posso fazer para mim, porque eu gosto, porque me faz sentir bem.

E quando é que te sentes mais livre?

Quando?? Essa é difícil, mas acho que é quando estou com pessoas ou em sítios onde me apetece fazer o que quiser e essas pessoas também ficam bem com isso e não ficam preocupados ou chateados como se tivéssemos a fazer algo de mal.

Para o Manuel a liberdade é assim, uma coisa não muito definida e clara em palavras ou frases, mas muito consistente e vivida no seu Eu em crescimento. Este movimento liberto deste Eu que lhe permite tocar com os “dedos das mãos nas pontas dos pés”, como se tocam as pontas das suas fantasias e sonhos nos limites das suas capacidades e competências para o agir. E então aos seus olhos a liberdade é então o PODER SER para o mundo exterior aquilo que já se é, se vive e sente no seu mundo interno. E não deixam de ser estes pontos do nosso corpo “limites” de nós mesmos, mas ao tocarem-se criam um ciclo continuo que nos permite sermos do tamanho que quisermos.

E haverá maior liberdade do que podermos SER o que SOMOS da ponta dos dedos das mãos à ponta dos dedos dos nossos pés? E podermos senti-lo e exprimi-lo sempre que quisermos?

O Canto da Psicologia

Dra. Joana Cloetens

www.canto-psicologia.com

 

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