Tendo em conta as notícias dos últimos dias, natural será chegarmos a uma conclusão: a estupidez anda atarefada. Com distintos graus de gravidade parece que uma vaga de loucura se apoderou da saúde mental da juventude portuguesa…e não só. Primeiro, se a memória não me falha, a revelação do vídeo, já sobejamente comentado, da Figueira da Foz expôs cerca de treze minutos de cretinice acéfala, felizmente sem consequências de maior. Depois o bárbaro assassinato do jovem de Salvaterra de Magos às mãos de um outro jovem, ao que parece “problemático” confrontou-nos com a barbárie, o horror e a selvajaria. As imagens dos “festejos” de um grupo de vândalos, sim de vândalos, em Lisboa confirmou, uma vez mais, que certos indivíduos se servem de eventos desportivos para revelarem a perenidade da besta que há em si. A estes as autoridades só podem responder de duas formas: o bastão e a prisão. Não se advoga aqui os excessos polícias, que não nego existirem, advoga-se o justo tratamento para quem, impunemente, destrói património público, gera caos e desordem. Também no dia dos ditos “festejos” foram capturadas imagens de um grupo heterogéneo, incluindo idosos, a assaltar o bar e a loja do Estádio D. Afonso Henriques em Guimarães. Estes alegremente acharam que a ausência de ordem justificava, ou pelo menos permitia, a imoralidade das suas acções. A violação de uma menor embriagada, de doze anos, à porta de uma discoteca vem juntar-se à espiral em que andamos.
Normalmente, cidadãos honestos de qualquer credo, nacionalidade, etnia e género, gostam de viver em liberdade. Ora, a liberdade advém do Estado de Direito que garante a lei e a ordem nas nossas ruas e em todos os espaços comuns que fazem parte da vivência em sociedade. Cada um de nós é único, com uma história única, um contexto único; infelizmente, alguns foram pela vida particularmente desfavorecidos, seja por razões sócio-económicas, familiares, culturais ou até o somatório de estes e muitos outros factores. Compete à sociedade (o Estado, mas não só) tentar corrigir assimetrias gritantes, procurando, dentro das possibilidades diminuir o fosso entre privilegiados e não privilegiados.
Partindo do principio que as acções referidas no inicio desta crónica não foram cometidas por inimputáveis os seus agentes têm de ser responsabilizado. Todos, todos nós, independentemente de circunstâncias de vida somos responsáveis perante a lei.
Se as famílias falharam, se a escola falhou, isso será uma outra discussão, pertinente, sem dúvida, mas insuficiente para o problema em questão. O problema é a impunidade, o problema é o desrespeito pela dignidade alheia, pela propriedade alheia e, mais grave, pela vida alheia. E isto tem de ser punido com eficácia e severidade. Para o vandalismo e a violência gratuita a tolerância só pode ser zero!

Francisco Soromenho-Marques

Presidente da Comissão Política Distrital da JP Setúbal

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