Dos 12 anos passados nas escolas públicas deste país posso dizer que vi um pouco de tudo, principalmente não me esqueço da incontornável senhora que durante o Ensino Primário foi responsável pela minha formação académica, Professora Jacinta. Muito nos disse durante aqueles 4 anos, que era uma professora à moda antiga e como ela já não se faziam, ora como tinha razão vim mais tarde a perceber. Fazia questão de ter o Crucifixo de Nosso Senhor Jesus Cristo colocado por cima do ainda quadro a giz que nos acompanhou enquanto aprendemos a ler e a escrever. Bem dizia, ai de quem um dia se atrever a mexer no cruxifico, a esquerdalhada e alguns jotinhas não faziam farinha com a professora podem adivinhar. A sua autoridade algumas vezes era imposta com um pedaço de madeira que batia fortemente na mesa, que hoje assustaria certamente as psicologias modernex. Para além desta imagem rígida, era uma professora acarinhada pelos alunos e funcionários, com um amor pela sua mãe verdadeiramente impressionante e exemplares para todos nós. Aprendi a decorar a tabuada, os rios e estações de comboio e ainda memorizei toda a primeira Dinastia dos reis de Portugal. Nesses anos aprendi rapidamente a ter um orgulho e um respeito imenso na nossa história e na nossa bandeira. Provavelmente hoje tenho consciência de fazer parte dessa ultima geração tardia que aprendeu à moda antiga.

Tendo saído há dois anos das escolas publicas deste país, tenho consciência que os valores que me tentaram impingir à força são completamente diferentes dos valores que os meus pais e a professora Jacinta me ensinaram. Enquanto estudante várias vezes tive discussões acesas algumas apaixonantes com professores e colegas, principalmente pelo levianismo com que se trata a Igreja Católica e o Catolicismo nas salas de aula de Portugal. Disciplinarmente muitas vezes fui apontado como “demasiado católico” pessoalmente nunca compreendi a expressão ou se é católico, ou não se é, sendo nisto como em quase tudo na vida. Por isso, concluía que o problema para a Escola era ser católico. E apesar de me dizerem isto em modo de advertência, encarava-o como um elogio. Mas chegaram mais longe, tive quem me dissesse que o problema não era ser católico, o problema era afirmar que era católico na sala de aula, isso é que não podia ser, não era politicamente aceitável.

Recordo-me em particular de uma discussão no auge dos meus 16 anos na sala de aula sobre a reforma protestante, onde debati com o professor apaixonadamente o tema quase a aula inteira. Após a discussão e a aula ter terminado, lembro-me de ter pelo menos 6 ou 7 colegas que vieram ter comigo onde me contaram que também eram católicos. Nada de anormal nisto, apesar de já conhece-los há mais de dois anos na época, o que me surpreendeu foi terem-me dito que nunca afirmavam os seus valores e a sua fé para não terem problemas na escola. Esta resposta é incompreensível e inaceitável!

Ou seja, atrevo-me a afirmar que existe em Portugal uma vergonha generalizada entre os católicos afirmarem o que são e para o que estão nas escolas publicas. Porque é que isto acontece?

Uma das criticas mais recorrentes ao ensino é a sua teimosia em ficar-se pelo debitar matéria aos alunos, e não deixa-los pensar nem refletir sobre os conteúdos aprendidos, com pouquíssimo espaço para o debate e para argumentação, que no fundo só tinha a ganhar para todos, professores e alunos.

Mas mais grave, existe um politicamente correto incompatível com o catolicismo e um laicismo muitas vezes doentio que não respeita a liberdade de pensamento dos estudantes, levada a cabo especialmente pela extrema esquerda que muito se congratula por ter consagrado as escolas públicas aos mais sagrados altares da Ideologia de género na esperança de doutrinar as crianças portuguesas para uma ditadura de género, uma nova forma de marxismo aburguesado por assim dizer.

Perante isto, os pais católicos têm que ganhar consciência que não podem aceitar que o Estado eduque os seus filhos, vale sempre a velha máxima, os filhos não são nossos, mas muito menos do Estado. E por isso têm que transmitir os valores que consideram ser fundamentais nas vossas vidas para que os vossos filhos se tornem em futuros cidadãos justos e rectos. A responsabilidade de sentar com os vossos filhos e discutir os conteúdos programáticos despejados nas salas de aulas mais que nunca é essencial, se na escola mastigam formação cívica em casa que lhes ensinem a Doutrina Social da Igreja, se na escola lhes debitam matéria a torto e a direito, em casa ensinem-lhes S.Tomás de Aquino e S.Bernardo de Claraval, se na escola lhes dão falsas noções do que é o Amor, mostrem-lhes como Cristo amou a Sua Igreja. Porque no fundo sejamos honestos, a escola laica fez um corte profundo com a história de Portugal, renegou a sua matriz cristã com que foi erguido em 1143 e destrói a cada dia o sentimento de Portugalidade que tanto me orgulha enquanto português. Não sou contra a escola pública, pelo contrario acho-a um dos pilares básicos da democracia, mas sou por uma escola pública de todos e para todos onde a liberdade de pensamento seja permitida e explorada!

pS: já não existem Professoras como Jacinta!

José Maria Matias

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