Os eleitos do Partido Ecologistas Os Verdes, no Montijo, há muito que têm denunciado a situação em que se encontram os pescadores do Montijo, por não terem condições nem no rio, para atracar e descarregar as suas artes, nem em terra, para guardaram os seus utensílios.

Fomos apresentando propostas para a resolução do problema e foi com agrado que tomamos conhecimento, pela imprensa, do anúncio feito pelo Sr. Presidente da Câmara do Montijo de que os pescadores iriam ver resolvidas as suas pretensões.

Segundo o autarca, demorou dois anos e meio, e dois chumbos do projeto pelo caminho, até que a obra fosse aprovada. A localização, ao que se apurou, será junto ao esteiro da quebrada, zona de sapal, um ecossistema muito rico mas também muito frágil, pelo que é necessário tomar todas as medidas para minimizar os impactos desta obra.

Esta a obra está orçamentada em meio milhão de euros mais IVA e será assegurada por verbas do PROMAR, ficando o IVA a cargo da Câmara Municipal do Montijo. Segundo o edil, a nova infraestrutura portuária vai disponibilizar “uma rampa de varadouro, dedicada à manutenção e reparação de embarcações, um terrapleno de cerca de 5000 m2, a construção de sete casas de apresto e apoio, um espaço com mais de 65 metros para a atracação diária de embarcações, garantindo melhores condições de segurança” e “operacionalidade à atividade piscatória tradicionalmente desenvolvida na cidade”.

 

E é a partir daqui que gostaríamos de ver algumas das nossas preocupações esclarecidas:

 

  • Sendo que na reparação e manutenção das embarcações são usados materiais poluentes como vai ser acautelada a contaminação dos solos e do rio?
  • Dado que a cala do rio ainda fica a uma distância considerável, irão ser efetuadas dragagens para a abertura de um canal até à cala para que os pescadores possam sair na baixa-mar?
  • Dado que as lamas no local têm um efeito deslizante e facilmente irão assorear o canal, quem ficará com a responsabilidade das dragagens futuras?
  • Foi estudado um local para a instalação de uma pequena lota para que os pescadores do Montijo não tenham que se deslocar à Costa da Caparica para venderem o seu pescado?
  • Dada a situação do país e o facto de ter vindo a diminuir o número de pescadores no Montijo, não existiria uma solução mais barata e que servisse melhor os interesses dos pescadores? Ou estamos diante mais um embuste que em nada irá melhorar a vida dos pescadores do Montijo mas sim, como diz o Sr. Presidente, perante “uma obra que abre novos horizontes, novas potencialidades, para atividades relacionadas com a náutica ribeirinha”?

 

 Joaquim Correia –

Dirigente nacional de “Os Verdes” (do coletivo regional de Setúbal) e eleito na Assembleia de Freguesia da Junta de Freguesia do Montijo-Afonsoeiro

 

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