“Também eu.. sou do Glorioso “

Benfica Tri- Campeão

 

“Ser Benfiquista é ter na alma a chama imensa”

 

Tinha apenas 16 anos quando, a ouvir o relato de um jogo com uns amigos, parti uma perna, a comemorar um golo. Os tratamentos, idas aos hospitais, ficaram reduzidas a pó na minha memória, porque, por razões que não consigo explicar, o facto de ter sido pelo Benfica, o que me acontecera, ganhara outro significado. Comemorar reduzira a minha dor.
Sofrer pelo clube da Águia não é penoso, é uma honra, um dever. Não há momentos da minha vida, que me consiga recordar, por mais difíceis que tenham sido, me tirassem a atenção dos jogos e, essencialmente, do Benfica.

Ser do Glorioso acaba por ser uma devoção. Eu costumo dizer, a brincar entre amigos, “primeiro Deus, depois o Benfica”. Não me interpretem como um fanático que não sou. Sei reconhecer quando erramos.

No entanto, confesso, que pelo Benfica e apenas por ele, perco a razão. Sou parcial, tendencioso e incoerente quando me “salta a águia que há em mim”. Sou réu e juiz em cada partida, como se pudesse ser dono do destino.

 

Sempre me dediquei a causas, a defender aquilo que acredito com convicção. Pelo Benfica transcendo-me, exalto-me, enervo-me, sofro e comovo-me. Festejo cada vitória como se fosse a primeira. Vivo cada minuto da partida como se fosse o último.

Defendo-o, Glorioso, porque faz parte de mim. Tenho, na catedral, um lar. Caminho ao lado de milhares de adeptos, unidos por uma forma vermelha, única e explosiva, que não escolhe sexo, raça, idade, profissão ou credo.

Sinto-me no relvado e sofro com o treinador. Deixo cair a lágrima na derrota. Perco a cabeça em cada remate, e rezo em cada canto. Sustenho a respiração numa grande penalidade.

Ergo o cachecol, e entoo o cântico glorioso até ficar roxo, de tanto me esforçar, para me fazer ouvir. Tenho em cada jogador um amigo, abraço um adepto como a um irmão. A águia é o meu amuleto da sorte.
Vivo assim, orgulhoso, honrado, por pertencer a esta gigantesca família que fica triste com a derrota mas não desanima e rejubila com a vitória. Somos claramente o melhor clube de Portugal e um dos melhores do mundo .

A chama vermelha continua acesa e intensa, espalhada pelos quadros cantos do mundo, sendo embaixadora e imperatriz de Portugal. Já somos campeões, por termos Benfica, gravado na alma e no coração.

O meu amor pelo Benfica é assim, como descreve Radhakrishima, “Amor puro e incondicional, que se sobrepõe às falhas do amado, é provavelmente a maior dádiva dos céus”. Sobrepõe-se ao espaço e ao tempo. Não lamento derrotas e não me rejo pelas vitórias. Esta minha paixão já esta em mim, e é sempre maior cada dia que sigo os passos deste clube Glorioso : o “meu “ Benfica !

 

Cláudio Anaia

Adepto ferveroso do S.L.Benfica