Na segunda-feira, 17 de Novembro, foi apresentado em Lisboa algo de inédito na política portuguesa. O LIVRE juntamente com a Associação Fórum Manifesto (herdeira da Política XXI), a Renovação Comunista e vários independentes formalizaram a intenção de construir juntos uma plataforma que concorra às eleições legislativas do próximo ano.

Este entendimento é inédito, não só por juntar várias esquerdas num projeto comum, mas por ir bem mais longe na construção de uma alternativa política. Este é um projeto político aberto e partilhado, onde os protagonistas e as propostas não estão à partida definidos, mas serão escolhidos e deliberados pelos cidadãos e cidadãs que desejem responder ao apelo para a Convenção Cidadã que se irá realizar no dia 31 de Janeiro.

Será um projeto político construído de baixo para cima, e como tal só irá avante com a participação de todos os que desejem em Portugal uma governação de um novo tipo, progressista e transparente. A dívida, a reconstrução de um Estado Social sustentável e eficiente, a posição de Portugal na Europa, a reposição de uma política de justiça e equidade social, a recusa da austeridade e a sua substituição por uma política de desenvolvimento ecológico e económico serão eixos essenciais para o próximo governo e o contributo de todos para a discussão, por mais pequeno que seja, é precioso.

É a hora da cidadania. Mais do que a indignação e o protesto é necessário que a solução para os problemas de todos parta de todos e que esta força sirva para sustentar uma governação estável e consequente com as promessas feitas.

Não se trata de criar muletas para o PS, que há 40 anos tem, à esquerda, andado sozinho. Pelo contrário, trata-se de dar possibilidade a que o PS seja amarrado a uma esquerda que não o atire para os braços da direita, permitindo ancorar o próximo governo a políticas que promovam o progresso social, económico e humano.

A candidatura cidadã agora lançada terá o seu próprio programa político e os seus candidatos escolhidos, democraticamente, em primárias abertas a qualquer cidadão. As propostas constantes deste programa serão as propostas por que este movimento se irá bater, seja no governo ou na oposição, na Assembleia da República ou no Conselho de Ministros. E será por estas propostas, que juntos iremos construir, que a importância e o sucesso do movimento se medirá.

Se continuarmos a abdicar da nossa participação cívica e política, nada mudará em 2015. Continuaremos na via austeritária, de empobrecimento e agonia lenta da escola pública, do serviço nacional de saúde, das pequenas e médias empresas, das famílias.

Um futuro diferente terá que ser construído por “nós”, não por “eles”. Sejamos novos e com uma vida pela frente, ou velhos que querem deixar um país melhor aos que ficam. Sejamos mães e pais preocupados com o futuro dos nossos filhos, ou empresários a querer manter, e criar, postos de trabalho.

Todos somos convocados a “perder” algum do nosso tempo, algum do nosso sossego para construir algo novo e alterar definitivamente o rumo do país.

É hora da cidadania construir o seu projeto para este país. A hora é agora, é tempo de avançar.

 

Paulo Velez Muacho

Membro da Assembleia do LIVRE e da Comissão Instaladora do Núcleo de Setúbal do LIVRE

Subscritor Inicial da Convocatória da Convenção para uma candidatura cidadã

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