Os “profissionais” do Hospital dos Pequeninos estiveram sem mãos a medir, este fim semana, em Setúbal, com mais de setecentas crianças a participar em atividades lúdicas e pedagógicas que ajudam a compreender melhor a saúde.

 

No Hospital dos Pequeninos, organizado pela Associação de Estudantes da Faculdade de Medicina de Lisboa em parceria, localmente, com a Câmara Municipal de Setúbal, os doentes não eram as crianças mas sim os brinquedos, entre peluches, bonecos e outros companheiros da pequenada.

 

Ao hospital, este ano instalado no Cais 3 do Porto de Setúbal, chegaram os mais variados dói-dóis dos utentes de brincar. Depois da sala de espera, uma primeira observação pelos estudantes de medicina na triagem para tentar perceber o que apoquentava os bonecos das crianças.

 

“Olá!, Como te chamas?”, pergunta a doutora de serviço na triagem.

 

Tímida, a pequena Leonor Lourinho, de apenas três anos, responde com a voz a fugir-lhe mas rápida a identificar o problema que levou o boneco Ruca ao Hospital dos Pequeninos. “Tem um ‘dói-dói’ no pé.”

 

Ultrapassada a timidez inicial, interage no despiste das causas da dor e revela que o problema do amigo foi causado por uma pequena queda. “Então, e ele tem muita ou pouca dor?”

 

Com ajuda a uma escala de cores – vermelho, laranja e verde – correspondente a diferentes intensidade, aponta para o verde, de menor grau.

 

Ainda na triagem, Leonor ajuda a doutora a medir e a pesar o boneco, elementos registados num cartão de identificação que ajuda no tratamento a seguir nos outros serviços do Hospital dos Pequeninos. “Não parece nada de grave. Por isso, vamos pôr uma pulseira verde.”

 

Leonor, sempre com o Ruca ao colo, é encaminhada para o serviço de consulta, para exames complementares. Desta vez, à espera, está um doutor que, depois de algumas brincadeiras para quebrar o nervosismo, lá observa o paciente.

 

“Humm, não parece estar nada partido”, afirma o médico, depois de vários movimentos feitos no pé, o que deixa a criança contente por o amigo estar bem.

 

Ainda assim, observa a temperatura, escuta o batimento cardíaco e até espreita os ouvidos. E, por precaução, dá uma pequena pica.

 

Depois da consulta, segue-se a sala de imagiologia, para tirar uma “fotografia” ao pé dorido do boneco, e pelo laboratório de análises clinicas, para recolha de sangue do paciente, que, afinal, precisa de uma pequena cirurgia, o que motiva uma breve passagem pelo serviço de desinfeção.

 

Equipada com toca verde e bata azul, devidamente esterilizadas, Leonor acompanha o amigo pelo bloco de cirurgia e depois pela sala de tratamento, no qual é colocado um penso no pé do boneco. Antes da saída do hospital, passagem pela farmácia, para levantar os medicamentos necessários ao estabelecimento do paciente.

 

O Hospital dos Pequeninos, que esteve pelo segundo ano consecutivo em Setúbal, contou ainda no circuito com as salas de dentista, em que as crianças eram desafiadas a observar a dentição dos bonecos, e também de nutrição, com conselhos para uma alimentação equilibrada e saudável.

 

Outros motivos de interesse da iniciativa direcionada, em particular, para crianças dos 3 aos 7 anos, foram as pinturas faciais com a animadora infantil Zingarela, aulas de incentivo à prática desportiva e a demonstração de receitas saudáveis pela Escola de Hotelaria e Turismo de Setúbal.

 

A iniciativa, este ano com o tema “O Castelo dos Pequeninos”, contou ainda com a demonstração de veículos utilizados por forças de segurança e de socorro e do Autocarro Geração Saudável, com ações de sensibilização e jogos didáticos para o uso responsável do medicamento.

 

O Hospital dos Pequeninos, na 16.ª edição, tem como principais objetivos contribuir para a redução do medo sentido pelas crianças quando vão ao médico, ajudar na compreensão do trabalho desenvolvido pelos profissionais de “bata branca” e promover hábitos e estilos de vida saudáveis.

 

O projeto, iniciado pela EMSA – European Medical Students Association pretende ainda ser uma mais-valia para os estudantes universitários que acompanham as atividades, na medida em que estes também aprendem e começam a desenvolver formas de interação com as crianças num contexto hospitalar.

 

 

 

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