O presidente da Câmara Municipal de Almada, Joaquim Judas, em comunicado, defende que o pedido de demissão apresentado em bloco por sete Chefes do Serviço de Urgências do Hospital Garcia de Orta “comprova a falência das condições de atendimento e de trabalho nas urgências daquela unidade de saúde” e confirma “a razão dos sucessivos alertas que as populações, as autarquias locais e os próprios médicos vêm lançando publicamente” ao longo dos últimos anos.

De acordo com Joaquim Judas, os sete profissionais fundamentam a decisão tomada no “agravamento das condições de trabalho”, e referem que o “risco do ato clínico no serviço de urgência atingiu um ponto crítico e inaceitável”.

“As circunstâncias em que ocorrem estas demissões no Hospital Garcia de Orta confirmam, igualmente, a total incapacidade do ministro da Saúde em dialogar com os parceiros. Uma realidade atestada também pelo facto de reiteradamente se recusar a responder aos sucessivos pedidos de audiências que lhe foram dirigidos pelos Presidentes das Câmaras Municipais de Almada, do Seixal e da Península de Setúbal”, salienta o autarca, reiterando que “o ministro da Saúde recusa-se a ouvir os Municípios tanto relativamente ao grave problema dos cuidados de saúde primários e funcionamento dos centros de saúde, como relativamente à questão hospitalar, adotando uma política deslocada da realidade vivida pelas populações”.

Para Joaquim Judas, esta política traduz-se em “opções de investimento desadequadas, como é o caso dos 120 milhões de euros que [o Governo] afirma ter investido no Hospital Garcia de Orta”, uma vez que os estudos efetuados, designadamente o realizado pela Escola de Gestão do Porto, em 2006, “apontam como solução para a melhoria da qualidade dos serviços de saúde prestados à população na Península de Setúbal a construção de um novo hospital no Concelho do Seixal, o qual teria custado 70 milhões de euros”.

A Câmara Municipal de Almada reitera ainda a necessidade urgente de alterar profundamente a política de “desinvestimento e desumanização” dos serviços de saúde prestados às populações do Concelho e da Península de Setúbal, que, de acordo com o autarca, “se vêm agravando de dia para dia por uma política desligada da realidade e das necessidades efetivas dos cidadãos”.

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