Foi tornada pública a enorme carência de médicos radiologistas no Hospital Garcia de Orta (HGO), tendo somente dez radiologistas, dos quais seis estão em regime de tempo parcial. Esta situação está a comprometer o normal funcionamento do serviço de urgência deste hospital e a condicionar o diagnóstico atempado dos doentes que chegam às urgências.
Devido à enorme carência de médicos radiologistas no HGO, a partir das 20 horas não há médicos radiologistas em presença no serviço de urgência, essenciais para elaborarem os relatórios de meios complementares de diagnóstico e terapêutica como o raios-X, ecografias ou tomografias axial computorizada (TAC). Assim, a partir das 20h, apesar de os equipamentos estarem disponíveis e existirem os técnicos para fazerem os exames, estes não se fazem porque depois não há quem interprete o exame e faça o relatório.
Segundo as informações vindas a público, se surgir no período noturno o caso de um utente que necessite de um ecografia e não for uma situação muito grave, aguarda-se pelas 8 horas do dia seguinte, quando estará novamente um médico escalado no serviço de urgência, caso contrário, em vez de ecografia, realiza-se uma TAC, que depois é enviada a uma empresa para fazer o relatório, via telemedicina. Este “expediente” tem enormes prejuízos, em primeiro lugar para o utente que faz um exame desnecessário, sujeito à emissão de radiações que deviam ser evitáveis; em segundo lugar, o recurso a empresas traz custos acrescidos e em terceiro lugar aumenta a probabilidade interpretações erradas do exame, conduzindo a relatórios errados, como já ocorreu.
Embora o HGO tenha um serviço de urgência polivalente, não cumpre os requisitos definidos no Despacho nº 10319/2014 do Secretariado de Estado Adjunto do Ministro da Saúde publicado a 11 de agosto de 2014, que “determina a estrutura do Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM) ao nível da responsabilidade hospitalar e sua interface com o pré -hospitalar, os níveis de responsabilidade dos Serviços de Urgência (SU), bem como estabelece padrões mínimos relativos à sua estrutura, recursos humanos, formação, critérios e indicadores de qualidade e define o processo de monitorização e avaliação”.
O referido Despacho estabelece que os serviços de urgência médico-cirúrgico e os serviços de urgência polivalentes tem de assegurar em permanência radiologia convencional, ecografia simples e TAC.
Esta situação não é exclusiva do Hospital Garcia de Orta. Há muitos hospitais, que devido à carência de profissionais de saúde, a partir das 20 horas não têm médicos radiologistas escalados nos serviços de urgência, acabando por recorrer a empresas de telerradiologia para elaboração dos relatórios.
A carência de médicos radiologistas e as consequências no serviço de urgência decorre das opções políticas do atual Governo, de cortes orçamentais no Serviço Nacional de Saúde, de desvalorização profissional e social dos profissionais de saúde, de restrição na contratação dos profissionais de saúde em falta.
Os deputados do PCP, Paula Santos, Francisco Lopes e Bruno Dias, quiseram saber se o Governo tem conhecimento da carência de médicos radiologistas e das suas consequências, nomeadamente no serviço de urgência do Hospital Garcia de Orta, como avalia a ausência de médico radiologista a partir das 20h no serviço de urgência, que seja adiada a realização de exames ou então que substituam o exame por outro desnecessário, o que obriga a recorrer a empresas de telemedicina. Também perguntaram ao Governo se confirma que o Hospital Garcia da Orta tem apenas dez médicos radiologistas, sendo que destes seis trabalham a tempo parcial e quantos médicos radiologistas deveriam integrar o quadro de pessoal do Hospital Garcia da Orta.
Os deputados comunistas questionaram o Governo para saber que medidas vai o Governo tomar para reforçar o número de médicos radiologistas neste hospital e para quando a abertura de concursos públicos para a contratação de médicos radiologistas, integrando-os na carreira com vínculo público.
O Gabinete de Imprensa da DORS do PCP

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