À semelhança do que se passa no país, o concelho de Alcochete não passou impune às consequências da política prosseguida na área da saúde por sucessivos governos, em particular pelo Governo PSD/CDS.

Faltam profissionais de saúde, encerram serviços e valências ao nível dos cuidados de saúde primários e as despesas de saúde pesam cada vez mais sobre os rendimentos dos utentes.

A Extensão de Saúde de São Francisco foi encerrada em 2010 e recentemente encerrou a Extensão de Saúde do Passil. O encerramento de extensões de saúde dificultam o acesso dos utentes aos cuidados de saúde e contraria um dos princípios orientadores dos cuidados de saúde primários – a proximidade da prestação de cuidados de saúde aos utentes – deixando as populações mas desprotegidas.

As decisões de encerramento das extensões de saúde foram tomadas sem qualquer justificação ou argumento válido.

A carência de profissionais de saúde no Centro de Saúde de Alcochete é uma evidência, em particular de médicos de família, enfermeiros e assistentes técnicos e operacionais. Nos últimos anos a situação agravou-se com a redução de profissionais de saúde neste centro de saúde que levou inclusivamente à suspensão de inúmeros programas de promoção de saúde e de consultas, mais uma vez em prejuízo da saúde dos utentes.

No concelho de Alcochete há mais de 6500 utentes sem médico de família, o que só si constitui uma dificuldade acrescida no acesso à saúde, para além destes utentes não estarem a ser devidamente acompanhados.

Dado o desinvestimento na saúde em Alcochete, o Município de Alcochete avançou em 2011 com a construção da extensão de saúde do Samouco, substituindo-se ao governo nas suas atribuições e competências. Entretanto o município ainda não foi ressarcido pelo governo, pelo investimento realizado, estando ainda a aguardar o pagamento de 406 mil euros pelo Ministério da Saúde.

As atuais instalações da Extensão de Saúde de São Francisco já não são adequadas para a prestação de cuidados de saúde, pelo que a autarquia já cedeu inclusivamente as instalações da antiga escola primária para a nova Extensão de Saúde.

O investimento no Serviço Nacional de Saúde, em particular na proximidade dos cuidados de saúde primários e no reforço dos meios a estes alocados é fundamental para assegurar o direito à saúde das populações, com qualidade e atempadamente.

Os deputados do PCP, Paula Santos, Francisco Lopes e Bruno Dias, quiseram saber como avalia o Governo a acessibilidade dos utentes à saúde no concelho de Alcochete e quais as razões que levaram ao encerramento das extensões de saúde de São de Francisco e do Passil. Também quiseram saber se o Governo pondera reabrir estas extensões de saúde de forma a assegurar a proximidade dos cuidados de saúde primários às populações de São Francisco e do Passil.

Os deputados comunistas interrogaram o Governo sobre o número de profissionais de saúde no centro de Saúde de Alcochete, por unidade, por carreira e que medidas vai tomar para assegurar a contratação de profissionais de saúde em falta, nomeadamente de médicos de família, enfermeiros e assistentes técnicos e operacionais.

Mais ainda, os deputados do PCP perguntaram ao Governo se pondera requalificar o espaço cedido pelo Município para as novas instalações da Extensão de Saúde de São Francisco e quando prevê proceder ao pagamento em atraso ao município de verbas no valor de 406 mil euros.

O Gabinete de Imprensa da DORS do PCP

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