A peça de teatro “O Homúnculo”, escrita por Natália Correia e confiscada pela PIDE após a primeira e única edição, de 1965, sobe ao palco, em estreia absoluta, dia 20, no Fórum Municipal Luísa Todi, em Setúbal.

O Teatro Estúdio Fontenova leva à cena esta história que relata um território chamado Mortocália, controlado por um rei autoritário chamado Salarim. Nesta obra é notória a relação entre ficção e realidade, em que o nome Salarim e o lugar mortuário Mortocália são referências ao ditador e ao país que sacrificava os jovens numa guerra colonial, iniciada em 1961, quatro anos antes da publicação do texto.

As semelhanças com o regime de Salazar fizeram com que a obra fosse apreendida pela polícia política do Estado Novo, tornando-se num texto clandestino que passava secretamente de mão em mão como senha conspiratória contra o regime fascista. Quarenta anos após a revolução, o texto em forma de sátira política escrito por Natália Correia é apresentado ao público pela primeira vez por uma companhia de teatro.

A peça “O Homúnculo” tem estreia marcada para dia 20, às 21h30, e volta a subir ao palco no dia seguinte, à mesma hora, e a 22, às 17h00, também no Fórum Municipal Luísa Todi.

Em 2015, ano em que a publicação do livro completa meio século, a companhia Teatro Estúdio Fontenova assinala a data com uma reedição do texto. A publicação conta com prefácio de Armando Nascimento Rosa e nota introdutória de Fernando Dacosta, personalidades estudiosas da obra de Natália Correia.

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