Perturbações ao nível do apetite: A Anorexia Nervosa e a Bulimia

São muitas as situações de âmbito fisiológico e psicológico em que o apetite pode estar alterado (diminuído ou aumentado). O apetite constitui uma função indispensável à manutenção do organismo, através da qual o indivíduo sente periodicamente vontade de comer e expressa o desejo de satisfazer essa vontade.

A anorexia nervosa é uma patologia, que consiste basicamente numa inexplicável excessiva perda de peso. Segundo os estudos efetuados é mais predominante no sexo feminino (cerca de 95% dos casos) e também na adolescência (entre os 13 e os 20 anos).

O diagnóstico desta patologia, nem sempre é efetuado com a celeridade pretendida, dado que os sintomas “manifestados” podem levar numa fase inicial, à confusão com outro tipo de doenças. Assim, conjuntamente com a perda de peso (não provocada por outra doença de natureza fisiológica ou psicológica),  podem surgir algum/alguns do(s) seguinte(s) sintoma(s):

– Falta de apetite;

– Vómitos frequentes;

– Crises de hiperatividade;

– Amenorreia (ausência do período menstrual);

– Pele seca;

– Queda de cabelo;

– Hipotensão (pressão arterial baixa);

– Hipotermia (sensação de frio e extremidades do corpo com baixa temperatura);

– Obstipação (prisão de ventre).

Em termos clínicos, os pacientes com este tipo de patologia, possuem regra geral, uma personalidade bastante rígida e obsessiva, pautada pelo medo de aumentar de peso e de tornar-se uma pessoa obesa. Esta situação é de tal forma “incontrolável” que acaba por se tornar uma obsessão constante. Adolescentes com traços depressivos também acabam por ser vulneráveis a este tipo de doença.

Assim, quando esta situação está identificada deverá ser acompanhada por um técnico especializado: Psicólogo ou Psiquiatra, devendo a família, nomeadamente os pais, assumir um papel bastante importante no acompanhamento do paciente e apoio ao mesmo no decurso da terapia.

A Bulimia por seu lado,   tal como a Anorexia, também tem uma maior incidência no sexo feminino, surgindo com maior frequência na faixa etária situada entre os 15 e os 30 anos. A Bulimia, carateriza-se por oposição à anorexia, pelo abuso alimentar pautado por episódios intermitentes e aparentemente “incontroláveis” de rápida ingestão de grandes quantidades de alimento, num curto período de tempo. Este tipo de abusos, são regra geral efetuados em segredo, sem que a família numa primeira fase se aperceba.

Este tipo de pacientes, acabam por viver momentos, onde a compra de alimentos e seu consumo são efetuados em segredo, podendo a ingestão dos mesmos ser efetuada num único episódio, com valores de calorias que podem variar entre a 5 000 e 20 000, em casos extremos. Regra geral, esta ingestão “compulsiva” de alimentos em doses superiores ao normal, acaba por terminar num episódio de vómitos forçados, sendo que com o passar do tempo os vómitos acabam por se tornar um reflexo. Em média, este tipo de pacientes tem um episódio bulímico por dia, acompanhado de vómitos.

Juntamente, com este tipo de episódios, estes indivíduos, podem manifestar estados depressivos, impulsividade, irritabilidade , ansiedade e dificuldade no relacionamento interpessoal ou até recusa de relacionamento com os outros.

Quando esta situação é detetada ela deverá ser acompanhada por Técnicos especializados, muitas vezes em simultâneo, Psiquiatra e Psicólogo, com o objetivo de conseguirem estabelecer “regras” alimentares, efetuar o seu controlo, e monitorizar o estado emocional do paciente, estabelecendo uma terapia adequada à situação. Mais uma vez, a família poderá ter um papel importante no acompanhamento e apoio ao paciente.

José Vaz Quintino

Diretor Geral Psicohelp

Partner Uneeq Consulting Group

Docente Universitário

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