Numa Semana em que ainda se faziam sentir os ecos da quadra festiva – alguns ainda teimavam em meter à prova a qualidade da pinga desafiando o seu teor alcoólico – os croquetes e as fatias de bolo-rei faziam as delícias daqueles que se chegam às gulodices e cumprem à risca a tradição de que as festas devem terminar apenas no dia de reis, fomos surpreendidos (?) com imagens que em nada abonam a favor do futebol português. Mal começou o ano, os velhos hábitos. As cenas que vimos em Setúbal e em Moreira de Cónegos devem ser banidas de uma vez por todas do nosso futebol. Até quando irão os presidentes dos clubes e treinadores culparem os árbitros pelos seus fracassos? Ao longo dos últimos dois anos criou-se uma “onda gigante” de suspeição sobre tudo e de todos no futebol nacional metendo em causa os feitos e qualidade daqueles que em campo vencem os seus jogos. Virou “moda” falar mal dos árbitros e do Concelho de Arbitragem. É engraçado que não se ouvem os treinadores a culpabilizarem os seus atletas por acertarem no ferro ou quando falham um golo “cantado” de baliza aberta.   Até quando a velha teoria de ficar calado quando se ganha e disparar contra os árbitros, quando se perde, irá vigorar? A rivalidade entre os Clubes deve ser sadia. Deve ser apenas dentro de campo – os adeptos e as claques devem apoiar os seus ídolos sem precisar entoar cânticos ofensivos contra o adversário. Os principais intervenientes no espectáculo devem ajudar a criar um ambiente salutar antes e depois dos jogos, com a imprensa a servir de “megafone” na divulgação de ambiente que a todos convida. O futebol deve ser encarado como uma festa. Como tal, deve aproximar as pessoas aos Estádios. Não podemos aceitar que o futebol ou outra modalidade qualquer crie “linhas de fractura” dentro da nossa Sociedade. Não queremos “guerras” Norte e Sul. Muito menos entre Clubes vizinhos que partilham qualquer troço de estrada circular. Devemos estar alertas e dizer não àqueles que pretendem transformar o nosso futebol num caos. Pessoalmente não acredito que haja árbitros, na Liga NOS – é a que mais assisto – que se deixem “comprar” para beneficiar este ou aquele Clube. Acredito que os “homens do apito” têm dias maus e outros melhores. E como têm que decidir sobre determinado lance em tempo real, umas vezes ajuízam bem outras vezes nem por isso. A pressão sobre eles é muito grande. Quando assisto (5/6 vezes em replay) a uma má decisão de um árbitro ou fiscal de linha, tento perceber até que ponto era humanamente possível a decisão ser a mais acertada possível. Procuro perceber como estava posicionado o árbitro e a sua equipa no momento da jogada. Os que hoje reclamam por um penalti a favor são os mesmos que na Semana a seguir são beneficiados com um golo irregular – afinal errar é humano. Que solução para se errar menos? Árbitros robôs? Parar constantemente o jogo para se ver (pela Câmara) se a bola tocou ou não na mão do atleta X ou Z? Não acho que seja a solução. O futebol foi inventado por homens. Sendo o homem imperfeito, é natural que o futebol e tudo o que gira a sua volta também o sejam. Mas toda esta imperfeição gera dinâmica. Faz vender jornais, fez emergir os comentadores desportivos, os cafés vendem antes, durante e a seguir a qualquer jogo – as discussões sobre este e aquele lance são acompanhadas por mais uma caneca. Ao futebol não se pode exigir perfeição. Podemos exigir sim respeito e lembrar aos intervenientes que não devem se esquecer das elementares regras de convivência em Sociedade.  Não me venham dizer que o F.C Porto de F. Couto e V. Baía que foi “demolidor” nos últimos anos foi “apenas” com ajuda dos árbitros, muito menos que o Sporting C.P de Jardel e J.V.Pinto foi Campeão Nacional “somente” com ajuda do Conselho de Arbitragem. Tal como não aceito que digam que o S.L Benfica tenha conquistado os últimos 3 campeonatos nacionais com ajuda que não fosse dos golos do Cardozo, do Lima, do Jonas ou Mitroglou. Como já li por aí, joguem mais é à bola.

Nota: Esta Semana, vimos partir aquele que para muitos foi o “Pai da Liberdade e Democracia” nacional. Mário Soares foi e será para sempre uma figura incontornável da política nacional e internacional – tal foram as homenagens e manifestações de pesar por toda a lusofonia e um pouco por todo o mundo. Nem a “pressa” no processo de descolonização das ex-colónias ultramarinas e a sua aproximação aos maninhos em Angola, a chamada do FMI em 1983 (era chefe de governo na altura) para ajudar a retirar o País do marasmo económico que se encontrava, o delicadíssimo “caso do fax de Macau”, a estrondosa derrota nas presidenciais em 2006 e o facto de tantas vezes apregoar a Liberdade, mas não estar presente (fisicamente) para dar o “corpo aos cravos” contra o Fascismo, ofuscaram tudo aquilo que Mário Soares fez por Portugal ao longo de 40 anos de vida politica activa e muito menos impediu que os portugueses prestassem sentida homenagem agradecendo-o por tudo. Ouviu-se de novo, SOARES É FIXE! Vamos todos tentar ser dignos do seu legado.

 

Assina: Manuel Mendes

Gestor Imobiliário

PS (Post Scriptum): Manuel Mendes opta por escrever na antiga ortografia da língua portuguesa.

 

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