Porque não devo adiar as consultas, exames e análises de rotina? “ 

O próximo Inverno adivinha-se desafiante, com a coexistência do Coronavírus e do Vírus da Gripe Sazonal, aliada à possibilidade de uma segunda vaga de Covid-19. Não esqueçamos, contudo, que existem outros agentes de infeção possíveis de afetar e causar dano na nossa população. 

Importa lembrar as doenças existentes na era pré-covid – altura em que inúmeras situações clínicas enchiam as salas de espera das unidades de saúde, urgências hospitalares e camas de internamento. Essas doenças continuam a existir, assim como os doentes diabéticos, hipertensos, com colesterol, triglicerídeos ou ácido úrico elevados, excesso de peso, obesidade, tabagismo, as conhecidas “tromboses” (dos enfartes aos “AVC’s”) e as doenças respiratórias crónicas (como a Asma e a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica, vulgo DPOC) que se mantêm presentes. 

É primordial tratar as doenças agudas mas também, e de igual forma, é essencial prevenir a agudização/agravamento de doenças crónicas, promovendo a saúde e o bem-estar dos doentes.

Antecipar e preparar a saúde da população para o inverno através de um olhar atento na consulta (ver o indivíduo como um todo) torna-se fundamental. Não descuide da vigilância atenta pelo seu médico assistente – integrante, essencial, fulcral, necessária e não menos real que a pandemia que se está a combater. 

Manter a vigilância habitual

De forma generalizada, nos tempos que correm, os portugueses sentem-se perdidos e pouco acompanhados a nível de cuidados de saúde: talvez por medo (de se infetarem com Covid-19 ao recorrerem às unidades de saúde), talvez por desvalorização das suas doenças crónicas (por acharem o acompanhamento desnecessário nesta fase ou por se sentirem bem) ou talvez até por dificuldade em estabelecer contacto com o seu médico ou em marcar consulta.

Um acompanhamento global de saúde inicial ou manter uma vigilância habitual com exames complementares de diagnóstico (pedidos pelo seu médico de acordo com o contexto clínico de cada doente) e o cumprimento da terapêutica prescrita são essenciais e não deve ser um plano adiado, tendo como principal consequência o agravamento de doenças existentes (algumas mais graves que outras) e, potencialmente, a morte de alguns doentes (consideradas neste contexto como mortes indiretas de Covid-19). 

Com os devidos cuidados de distanciamento social, higienização/desinfeção e uso de máscara, o cidadão dever-se-á sentir confortável em procurar o seu médico assistente para promover a vigilância anual, semestral ou trimestral (de acordo com as suas doenças de base) e fortalecer assim a sua saúde individual. Nestas circunstâncias, nunca é demais evocar o papel do médico assistente que, pela abrangência da sua prática clínica, se encontra numa posição privilegiada para atuar, não só pela relação de proximidade com o doente (onde a relação médico-doente é mais estrita) mas também pela capacidade de relacionar aspectos clínicos, psicológicos e sociológicos e, desta forma, perceber mais do doente do que os exames traduzem.

Cuidar da saúde mental

Uma ferramenta importante adquirida pelo médico assistente é, entre outras, a promoção da saúde mental do seu doente, zelando pelo bem-estar psíquico do mesmo. Esta saúde mental, nesta fase pandémica, foi deveras assombrada pelo medo reativo ao desconhecido, bem como pelo medo pelos familiares, amigos e por questões laborais. 

Todos fomos colocados à prova, muito em parte devido ao isolamento social que vivemos. A Covid-19 abriu brechas que permitiram a passagem da sombra das doenças psiquiátricas como, por exemplo, da ansiedade e da depressão que certamente não passarão despercebidas perante o olho clínico do seu médico. 

E, … “Vou sair para ir ao hospital/clínica em tempos de Covid-19, corro riscos?” 

  1. As unidades de saúde mantêm circuitos distintos para doentes covid e não- covid, de modo a proporcionar e estabelecer contactos com segurança. 
  2. À admissão, todas as pessoas (doentes e profissionais de saúde) colocam máscara, realizam a correta desinfecção das mãos e medem a temperatura corporal. É promovida a circulação regrada com distanciamento social nos circuitos próprios. 
  3. O seu médico aguarda-o sendo cumpridor de todos os procedimentos de segurança adequados e integrados nas normas de serviço de modo a proporcionar-lhe uma experiência segura. 
  4. A relação “médico-doente” mantém-se e o uso de máscara não é impeditivo de uma boa avaliação clínica.
  5. Existe ainda a  possibilidade de estabelecer consulta por via de teleconsulta 
  6. Nas clínicas CUF, pode pedir integração de cuidados (consultas e exames) para que consiga realizá-los no mesmo dia ou até na mesma opção horária, evitando assim múltiplas deslocações. 

O seu médico espera por si, não descuide da sua saúde! 

Catarina Palmeira e Sara Torres

Médicas Especialistas em Medicina Geral e Familiar na Clínica CUF Almada