Nos concelhos do Barreiro e do Seixal, marcados por um ADN predominantemente industrial, vivem-se novamente dias de expetativa, depois de esta quinta-feira, a presidente da Administração do Porto de Lisboa (APL) ter anunciado em sessão pública, na presença do ministro da Economia, António Pires de Lima, vários projetos de investimento para a modernização do porto de Lisboa, que incluem a ampliação da atividade portuária no Barreiro e a requalificação do Terminal do Seixal até 2020.

“Este projeto não é contra ninguém. É complementar a outros projetos de desenvolvimento portuário em Sines, Aveiro, Setúbal, Figueira da Foz, Viana do Castelo e, muito especialmente, em Leixões”, garantiu ontem António Pires de Lima, enaltecendo que o novo terminal de contentores no Barreiro, a recuperação do terminal da Siderurgia Nacional e a navegabilidade do Tejo até Alhandra têm “as condições para reiniciar um surto de industrialização” e recuperar para a região, designadamente para os dois concelhos da margem esquerda do Tejo “uma centralidade logística, mas também industrial que fazem parte da sua história e da sua tradição”.

Pires de Lima não tem dúvidas de que a escolha do Barreiro foi a “decisão acertada” e “consensual”, destacando que “é um acerto não só do Governo, como da Câmara de Lisboa, do Barreiro e do Seixal”.

“Sinto-me orgulhoso de ter estabelecido as pontes, com o senhor presidente da Câmara de Lisboa, do Barreiro, do Seixal, com a Administração do Porto de Lisboa e encontrar uma solução que serve a região e serve o país”, reiterou o ministro da Economia.

O secretário de Estado das Infraestruturas, Sérgio Monteiro assinalou que “se os estudos confirmarem as expectativas que existem, o compromisso que assumimos perante todos os portugueses é que não haverá um euro de dinheiro público envolvido neste projeto”.

“Todos os portos têm custos com a operação que são assumidos pela Administração Portuária, tal como acontece nos mais diversos países a nível mundial, designadamente custos com as dragagens e as infraestruturas de proteção que são pagos pelas taxas dos privados relativamente à atividade, ou seja, não há nem direta nem indiretamente qualquer fundo público envolvido no Terminal”, afiançou o governante.

Relativamente ao Porto de Setúbal, Sérgio Monteiro voltou a referir, em declarações aos jornalistas, que não há investidores interessados num hipotético terminal de contentores em Setúbal. “Nós queremos mais e mais investimento, não é investir em Lisboa em detrimento de Setúbal ou em Sines em detrimento de outras localizações, nós queremos mais concorrentes e mais operadores na atividade portuária, porque é da concorrência que se fazem melhores preços e com melhores preços nós temos uma economia mais dinâmica, mais competitiva e reduzimos os custos de contexto”, acrescentou.

De acordo com a presidente da Administração do Porto de Lisboa (APL), Marina Ferreira, foi entregue esta quarta-feira a candidatura a fundos comunitários para a realização dos diversos estudos necessários para avançar com estes projetos de investimento, orçados em cerca de 5,5 milhões de euros.

Marina Ferreira explicou que o Porto de Lisboa pretende desenvolver três frentes, a frente do Seixal, onde está instalada a indústria da siderurgia, que passará a receber e a exportar as suas mercadorias a partir do cais adjacente à unidade industrial, a renovação de toda a zona portuária do Barreiro e o canal da navegabilidade que irá permitir a acessibilidade de empresas.

“Pretendemos com estas alterações que o Porto de Lisboa possa ser, cada vez mais, um parceiro competitivo de toda a economia da Área Metropolitana de Lisboa, recorde-se que grande parte da indústria exportadora do país está concentrada naquilo que consideramos a área de influência do Porto de Lisboa, ou seja, num raio de 100km em torno da Área Metropolitana de Lisboa”, explicou a presidente da APL, referindo que o principal objetivo do projeto é, no sentido lato, “promover a competitividade das indústrias da Área Metropolitana de Lisboa”.

“Atualmente o Porto de Lisboa draga, anualmente, um milhão de metros cúbicos e este valor poderá duplicar, mas as dragagens não são um fator impeditivo da competitividade dos portos, são uma necessidade”, referiu a responsável da APL, recusando-se a avançar nesta fase com valores.

A presidente da APL prevê que os estudos e as análises de impacto ambiental estejam todos concluídos até 2017, mas revelou que alguns estarão já prontos no próximo Verão. Marina Ferreira acredita que será possível lançar o concurso público nacional e internacional para este conjunto de investimentos até ao final de 2016.

Em relação à conclusão das obras, Marina Ferreira admite que gostava de ter avanços significativos no Cais de Alcântara até meados do próximo ano e no Barreiro e no Seixal entre 2020 e 2025, ressalvando que no caso do Seixal os estudos “não estão com o mesmo grau de progresso”.

Para Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, o anúncio do Governo que o Barreiro é a única localização em cima da mesa para a instalação do terminal de contentores é “mais um passo na direção certa”. “Nós queremos que os estudos sejam os mais aprofundados e completos possíveis, para que as soluções encontradas sejam completamente possíveis de concretizar e sejam, acima de tudo, boas soluções do ponto de vista da integração urbana, da mobilidade, do ambiente e do desenvolvimento urbano, industrial e tecnológico”, afiançou o autarca.

“A ponte Barreiro – Seixal é um elemento muitíssimo importante, que torna-se ainda mais importante com o desenvolvimento deste projeto logístico-portuário”, destacou o edil.

O presidente do município do Barreiro lamentou ainda que “o território da Lisnave não esteja, atualmente, englobado no projeto”. “Havemos de lá chegar”, frisou.

Joaquim Santos, presidente da Câmara Municipal do Seixal, explicou que o concelho “tem cerca de 500 hectares desaproveitados na área envolvente à Siderurgia Nacional”, por isso surge com “naturalidade” associado a este projeto que marca, simultaneamente, o “arranque do projeto do Arco Ribeirinho Sul”.

“O projeto vai permitir a revitalização do concelho do Barreiro e do Seixal, autarquias que foram muito importantes para o país e que nos queremos colocá-las, novamente, ao serviço do desenvolvimento de Portugal”, acentuou o autarca.

Comparativamente ao projeto de desenvolvimento da Área Logística Industrial e Tecnológica Anexa (ALITA) no Barreiro, Joaquim Santos adiantou que, de acordo com a visão estratégica dos dois concelhos, “o Barreiro terá uma componente mais logística e de serviços e o Seixal uma vocação virada para a indústria mais pesada e de grande dimensão que necessita, naturalmente, de mais espaço”.

Partilhe esta notícia