Entre 21 e 26 de abril, a Associação NÓS recebeu a visita de professores provenientes de várias escolas da Bélgica, da Noruega, da Irlanda do Norte e de Itália, que ficaram a conhecer o dia-a-dia desta instituição. Em conjunto com a Escola de Educação Especial (EEE) da NÓS – Associação de Pais e Técnicos para a Integração do Deficiente, as escolas visitantes trocaram experiências durante dois anos ao estarem inseridas no projeto ‘Whistling to school in Europe’, projeto que culminou com esta visita ao Barreiro (Portugal).

Desenvolvido entre 2013 e 2015, o projeto ‘Whistling to school in Europe’ foi dinamizado no âmbito de um programa financiado pela União Europeia, designado de Programa de Aprendizagem ao Longo da Vida (PROALV), em projeto Comenius – parcerias entre escolas. Durante dois anos, partilharam-se estratégias e ferramentas que permitissem aos professores e técnicos encontrar formas de motivação no seu local de trabalho.

No período referente a este projeto, as mobilidades que se realizaram a todos os países permitiram “conviver, experienciar e partilhar essas ferramentas e conhecer diferentes realidades escolares e sociais”, garante a professora da EEE da NÓS, Vera Silva. Na última semana, em Portugal, mais precisamente, no Barreiro, decorreu a última mobilidade deste projeto, finalizando-o.

Sendo a NÓS uma associação com múltiplos e distintos serviços na comunidade local, “o seu contributo neste projeto assentou em mais áreas que apenas a Educação”, testemunha Vera Silva. “Os 22 parceiros que estiveram connosco, de 21 a 26 abril, visitaram os serviços da instituição e participaram em diferentes atividades, permitindo que vivenciassem o dia-a-dia da associação e não só o da EEE. Experienciaram momentos na Creche ‘Os Pirilampos’, no CAFAP – Centro de Apoio Familiar e Aconselhamento Parental e na ELIP – Equipa Local de Intervenção Precoce; visitaram unidades na Escola do ensino regular de 2/3 ciclos do Agrupamento de Escolas do Vale da Amoreira; dançaram e conviveram com trabalhadores e utentes no Lar residencial ‘Nossa Casa’; partilharam emoções e reflexões na EEE; participaram nas Jornadas Técnicas da Associação; conheceram o novo equipamento do nosso CAO – Centro de Atividades Ocupacionais e das Residências Autónomas; realizaram a Smile Dance da Felicidade e atividades de team-building pelo Barreiro; assistiram a um concerto de coros e orquestra e à atuação de fadistas locais e visitaram a Serra da Arrábida, onde experienciaram meditação e Reiki. Toda a comunidade envolvente abriu portas para receber este grupo da melhor forma, dando a conhecer-se”, contextualiza Vera Silva.

Na opinião da docente da EEE, para o grupo de parceiros de diferentes países, “esta semana passada na NÓS e no Barreiro foi, segundo o retorno dos mesmos, cheia de emoções, partilha, entrega, e de testemunho do que esta associação realiza, diariamente, na comunidade onde se insere”. “Um dos testemunhos do coordenador do projeto, Rudy de Jonge, refere que ficou espantado por técnicos especializados trabalharem 48 horas por semana e terem um vencimento inferior ao de uma pessoa não especializada, a meio tempo, na Bélgica. Respeito, gratidão, compaixão e reconhecimento, foram as palavras que mais se ouviram e se sentiram”, afirma Vera Silva.

Enquanto professora de Educação Especial, Vera Silva admite ser essencial que “se valorize a diferença” pelo que ela é: “um desafio positivo, pois permite-nos olhar para o outro sem julgamento, sem preconceito, sem hesitação”. “Permitir que as crianças vivam a sua identidade significa que estamos a dar lugar ao indivíduo, para que ele possa crescer e trazer ao de cima o que de melhor há nele. Não precisamos de uma sociedade onde todos somos iguais, mas sim de uma sociedade onde cada um é único e respeitado por isso. Os responsáveis pela Educação dos adultos de amanhã necessitam de ser otimistas, positivos, motivadores de sucesso. Para isso, é necessário que sejam motivados durante a sua formação, vida profissional e pessoal. Se quem emprega, quem governa, não tem em consideração a fonte de motivação interior de cada, por mais que se queira que os trabalhadores, os cidadãos se envolvam na comunidade e no seu trabalho, será difícil sentirem essa pertença. É, por isso, necessário conhecer as forças de quem trabalha e valorizá-las”, considera a docente.

NÓS

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