Eduardo Cabrita, deputado do Partido Socialista na Assembleia da República, defendeu – durante a Conferência de Imprensa do PS Barreiro, que o Executivo da Câmara Municipal do Barreiro mantém uma “ligação abstrusa” e de “complacência” com o Governo em torno do futuro Terminal de Contentores.

Para o deputado, “o Governo, desacreditado, moribundo e em final de ciclo, não deve assinar em nome do país e em nome do Barreiro um contrato por 100 anos sem que tudo esteja clarificado e todas as dúvidas estejam esclarecidas”, realçando a importância de prolongar o debate e alargá-lo à sociedade civil.

“Os sucessivos executivos da maioria PCP/ CDU não têm exercido em pleno as suas competências e, mais do que estas, as suas obrigações perante os barreirenses em promover condições que potenciem a atividade económica do concelho”, sublinhou João Pintassilgo, membro da direção do PS Barreiro, reiterando que “atualmente o PCP limita-se a esperar pelos projetos do Poder Central agarrando-se aos projetos como uma boia de salvação, transmitindo uma imagem de percurso erróneo ao saltar de boia em boia para, posteriormente, limitar-se a mobilizar os barreirenses para lutar contra o Governo”.

De acordo com João Pintassilgo, a atitude do Executivo Municipal que faz depender “excessivamente” o futuro do Barreiro de um projeto que depende da decisão da administração central é “a melhor forma de estar sempre desresponsabilizado, mas não é a melhor forma de promover a economia local e a qualidade de vida dos seus munícipes”.

O antigo presidente da Administração do Grupo Transtejo lamentou ainda que o município continue a conviver com um PDM com mais de 20 anos “da chamada 1.ª Geração quando grande parte dos municípios estão a enveredar por um Plano Diretor Municipal de 3.ª Geração”.

O presidente da Comissão Politica Concelhia do Barreiro, André Pinotes, defendeu que a “cidade encontra-se manifestamente estagnada do ponto de vista económico e deprimida do ponto de vista anímico” e, por isso, o Barreiro precisa de “um novo rumo”, garantindo que apesar da população ainda não considerar o PS como uma “alternativa ao Executivo”, o PS irá trabalhar ao longo dos próximos três anos para “inverter isso” e, consequentemente merecer a confiança do eleitorado.

Relativamente às questões fiscais, Isidro Heitor, deputado socialista da Assembleia Municipal, defendeu que a política fiscal não pode ser vista apenas como “um instrumento de recolha de receitas”, uma vez que uma gestão criativa de impostos permitiria, a médio prazo, cativar a fixação de empresas inovadoras, fixar a juventude barreirense e atrair mais jovens para a cidade e, consequentemente despoletar o desenvolvimento económico”.

Isidro Reitor afirmou que a Câmara Municipal do Barreiro prevê arrecadar através do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) 11,3 milhões de euros em 2015, o que representa um aumento de 11,2% face a 2014. Para o deputado da Assembleia Municipal, o município deve “partilhar as receitas com os cidadãos”.

Eduardo Cabrita adiantou ainda que o PS Barreiro, inspirado na iniciativa socialista “Agenda para a década”, irá lançar um debate aberto à comunidade barreirense sobre o concelho que os munícipes querem para os próximos dez anos.