Na passada sexta-feira, em comunicado, a Associação de Futebol de Setúbal informou que o Palmelense Futebol Clube desistiu de participar na Taça da A.F.S., ficando por conseguinte “anulados todos os jogos” da fase de grupos em que o emblema de Palmela iria participar. Recorde-se que a fase de grupos começa a ser disputada no próximo domingo, 14 de setembro.

Ao Distritonline, Eduardo Machado, treinador do Palmelense F.C., adiantou que a desistência da prova deve-se “sobretudo aos timings e à desorganização diretiva, em termos de assembleias e eleições dos corpos sociais do clube”, uma vez que “só muito perto do limite de inscrições” é que foi encontrada uma alternativa para a sobrevivência e continuidade da instituição. Esta época, pela primeira vez, de acordo com o regulamento da prova, a participação dos clubes de 1ª Divisão [como é o caso do Palmelense] na Taça A.F.S. passou a ser obrigatória, Eduardo Machado acredita que a decisão de não entrar na competição “terá algumas consequências para o clube”, no entanto julga que as consequências não passarão “por multas relativas aos jogos em que o clube não se apresentar”.

O treinador do Palmelense confirmou que já está assegurada a continuidade do Palmelense na 1ª Divisão Distrital. “Foi criada uma comissão de gestão para a secção sénior formado por sócios que têm uma grande amor pelo clube, com o intuito de evitar que uma instituição com 90 anos de história tenha o seu fim”, explicou.

Na próxima época, 2014/15, o Palmelense regressará ao Campo Cornélio Palma, tornando-se deste modo a única equipa a participar na 1ª Divisão Distrital num campo de terra batida. De acordo com Eduardo Machado, o facto de hoje em dia quase todos os clubes do distrito terem relva sintética ou natural, “faz com que muitos jogadores não aceitem ou não se sintam motivados para treinar ou jogar num campo pelado”.

“Neste momento não estamos virados para jogadores que estejam preocupados com o piso, mas sim com o futuro do clube e que estejam no Palmelense para honrar as suas cores, seja pelado, relvado ou cimento. Felizmente, ainda existem muitos jogadores com uma grande paixão pelo futebol e uma grande vontade de ajudar o Palmelense”, sublinhou o técnico de Palmela, acrescentando ainda que são esperados “cerca de 40 jogadores” no primeiro treino da próxima época.

Apesar de todas as contrariedades, Eduardo Machado garante que nunca colocou em cima da mesa a possibilidade de abandonar o cargo de treinador. “Nunca na minha vida poderia virar as costas ao clube da minha terra e do meu coração e, acima de tudo, ao clube que me formou, que me fez crescer e que fez de mim jogador. Desistir e virar as costas a um clube com tanta história seria um ato de cobardia”, sublinhou.

De acordo com o técnico de Palmela, o objetivo da próxima época é restituir a “dignidade e o respeito” que o clube perdeu “nos últimos anos” e “assegurar a manutenção na 1ª Divisão Distrital”. “Faremos da nossa “casa” um inferno para os visitantes, e para aqueles que não respeitarem o esforço e a dedicação das pessoas que não aceitaram o fim e a derrota como resposta às dificuldades”, concluiu.