Querer

Quer seja para impressionar conhecidos num espanto,

Giramos à volta do querer, tão poderoso, tão… tanto.

Construir o nosso recanto ou satisfazer outro pranto.

Parámos de pensar para no fim perguntar: é quanto?

Desejos normais, súplicas por mais materiais banais,

Apetites informais que acompanham ciclos sazonais.

Elaborámos estes canais para mover pecados carnais,

Os sinais para os quais abrimos os olhos são decimais.

Percorrem-se corredores na compra do bom e fantástico.

Sarcástico como o nosso contentamento é elástico.

Para além de cáustico este comportamento é drástico,

Mais que coisas, as pessoas também já são de plástico.

O palco teatral de gestores é preenchido com actores,

Utilizam odores sedutores como eficientes vectores.

Terrores que em níveis inferiores captam os jogadores..

Haja matérias-primas para as multidões de predadores.

O mercado do progresso sem nexo tem base no excesso,

Quem lá deixa o seu tempo e notas confirma o ingresso.

A noção de que o sucesso é obtido dentro deste processo,

Nos nossos cérebros é um abcesso que origina retrocesso.

Casual é ver embrulhos a montes em caixotes após Natal,

Adquiridos na frenética viral e trivial no centro comercial.

Uma atitude surreal, pouco opcional e já em nada racional,

Que gera robôs sem moral integral na busca do santo Graal.

Os objectos passam de úteis a fúteis, é este o programa,

Uma vasta gama o ser reclama para conservar a chama.

Mais revela fortuna e fama, este é o diagrama da trama,

Drama é o nosso copo já está cheio e assim se derrama..

O Homem, o quão frágil somos, escravos do consumo,

Encontramos superficial aprumo num sumo sem grumo.

Em resumo temos de sair desta cúpula coberta de fumo,

Estudemos bem o exumo das nossas acções e seu rumo.

Mauro Hilário

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