João Gouveia, presidente da Associação dos Proprietários do Barreiro, em entrevista exclusiva ao Distritonline, defende que “o turismo industrial deve ser encarado como um produto de excelência na promoção do Barreiro, valorizando uma das grandes marcas da cidade, que é o seu passado industrial”.

Lisboa é uma das cidades europeias mais visitadas e para o responsável máximo da APB é “urgente que o Barreiro comece a aproveitar a sua geografia em benefício próprio”, combatendo a “desertificação e a decadência das estruturas edificadas” e revitalizando, consequentemente, a vida da cidade.

“O Barreiro tem um potencial louco”, afiança, defendendo que, “à semelhança do que aconteceu em Setúbal, o concelho do Barreiro também tem condições para acolher as gravações de uma telenovela e essa possibilidade seria óptima para projectar a marca da cidade além-fronteiras”.

Para João Gouveia, é importante clarificar o próprio conceito de reabilitação urbana. “Reabilitar não é limitarmo-nos a reabilitar a propriedade em si, nem mandar tudo abaixo, como já aconteceu no Barreiro, reabilitar exige que requalifiquemos não só as casas, como também o espaço envolvente”, explica, sublinhando que “não vale a pena reabilitar as propriedades se o espaço envolvente permanecer degradado”.

Já sobre os edifícios devolutos, alguns por estrear, localizados no centro da cidade, o presidente da Associação dos Proprietários do Barreiro não tem dúvidas de que a melhor solução seria “deitá-los abaixo”. “Reabilitá-los seria reabilitar o inconsciente, uma vez que quando foram construídos já era do conhecimento geral que existiam casas a mais e mesmo assim os bancos continuavam a financiar a construção de novos edifícios”, justifica.

Em relação o futuro do concelho do Barreiro, o responsável da APB considera que “se ninguém fizer nada para inverter o declínio populacional daqui a 20 anos o concelho do Barreiro está completamente desfeito”, salientando que é urgente “arregaçar as mangas, ouvir as entidades e a população e começar a trabalhar”. “Falta-nos alguém que dê um murro na mesa e diga: é assim”, lamenta.

Refira-se que, a Associação dos Proprietários do Barreiro é uma associação de direito privado, sem fins lucrativos, que foi fundada em 1932 com o objectivo de “preservar e rentabilizar a propriedade imobiliária”.

De acordo com João Gouveia, “a APB teve nos últimos três anos uma evolução muito grande, provocada pela dinâmica implementada pela direcção, mas também pelas mudanças que ocorreram na estrutura política e económica e, principalmente, no próprio mercado habitacional”.

A Associação de Proprietários do Barreiro tem cerca de mil sócios. Apesar de a grande maioria dos associados habitarem no Barreiro, a área de influência da Associação não se circunscreve ao distrito de Setúbal e já têm sócios em Lisboa, em cidades do norte do país e no estrangeiro.

Aos associados é disponibilizado um conjunto completo de serviços, designadamente: a promoção do arrendamento, que inclui a divulgação, a avaliação da viabilidade do arrendamento, a elaboração do contrato e o registo do contrato no Portal das Finanças; o atendimento técnico da Câmara Municipal do Barreiro, que visa agilizar procedimentos relacionados com a propriedade imobiliária o urbanismo; a gestão do arrendamento, assegurando um controlo efectivo sobre todo o processo e apoio jurídico, que engloba esclarecimento de duvidas, consultoria e patrocínio judiciário.

João Gouveia, que assumiu a presidência em Maio de 2013, garante que os objectivos que a direcção traçou foram “integralmente cumpridos”, assegurando que a APB ocupa hoje um papel “mais importante e mais relevante” na sociedade, dando como exemplo as três sessões de esclarecimento dinamizadas pela APB nos últimos meses, durante as quais foram abordados diversos temas, designadamente o urbanismo, a reabilitação urbana e a fiscalidade.

O presidente da APB reconhece que foi o facto de ter um “importante património imobiliário no Barreiro” que o levou a candidatar-se a presidente da Associação. “Não podia limitar-me a criticar a Associação, tinha que apresentar soluções que permitissem valorizar o meu património e o património dos restantes sócios, porque ou valorizamos o nosso património ou acabamos por perdê-lo. E, no fundo, foi esse desafio que nos fez abraçar este projecto”, recorda.

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