Redução

Antes de iniciar o assunto que me fez realmente escrever estas linhas, convém esclarecer um aspecto que tem sido por demais confundido. Quando alguém critica ou aponta lacunas sobre determinada matéria e num dado local, não quer com isso dizer que está a falar mal da terra em questão. Se são apontadas baterias é à gestão deficitária do território. E o que se pretende concretizar é uma melhoria efectiva das condições de vida da sociedade. Espanta-me a tendência que as pessoas têm para confundir a questão. Das duas uma: ou se divorciaram totalmente da sua capacidade de análise crítica – o que é grave; ou tentam propositadamente misturar conceitos e mensagens numa tentativa de camuflar os assuntos, que assim deixam de constituir um problema – o que é mais grave ainda.

Nos últimos tempos, a opinião pública tem feito eco da falta de limpeza e, acima de tudo, da deficiente recolha de resíduos um pouco por toda a península de Setúbal, nomeadamente no município do Montijo. É evidente que este problema se deve a vários factores. Logo à partida parece haver uma deficiente recolha de resíduos sólidos urbanos (RSU), que no fundo são o lixo que produzimos nas nossas habitações (ou todo o que seja similar). Se quanto à deficiente recolha dos resíduos recicláveis, que depositamos nos ecopontos, podemos apontar o dedo à Amarsul, já na questão dos resíduos indiferenciados, que depositamos nos contentores ou moloks, a sua recolha é assegurada pelo município que depois transporta para unidades de tratamento. Mas mesmo nas falhas operativas da Amarsul, os municípios terão uma palavra a dizer. Apesar da empresa ser detida em 51% pela Mota Engil, os 9 municípios da península também fazem parte da estrutura acionista. Montijo não é excepção, com uma participação de 3% do capital da empresa. É tentar o impossível para fazer ouvir a sua voz…

Outros factores são indicados pela generalidade dos municípios como potenciadores de uma recolha de RSU ineficaz, como a falta de pessoal e respectivo período de férias, bem como a falta de meios materiais. Também a falta de civismo e condutas menos adequadas de muitos munícipes é elencada como geradora de problemas na eficiência da recolha dos RSU e na manutenção da limpeza no espaço público. Tudo isto é verdade, mas tudo pode ser minimizado com uma gestão mais competente do município, com mais fiscalização, aposta em meios técnicos e materiais, assegurar um quadro de pessoal suficiente para suprimir as necessidades existentes, sensibilizar a população para uma atitude mais apropriada, etc.

Nesta temática dos RSU devemos também, enquanto munícipes, revisitar os 3 Rs: Reduzir, Reutilizar e Reciclar. Lembrando que a ordem como aparecem discriminados não é fruto do acaso. Com efeito, meio caminho andando para que a gestão de RSU seja mais eficiente está numa redução efectiva de resíduos. Cada vez somos mais pessoas e concentramo-nos principalmente em aglomerados urbanos. Portanto, reduzir é o principal ponto onde devemos estar focados. E as coisas às vezes são mais simples do que parecem. Basta pensar um pouco nas nossas acções diárias.

Por exemplo uma forma brutal de reduzir o lixo que produzimos é evitar a utilização de plásticos, um dos principais inimigos do meio ambiente. Palhinhas e cotonetes são objectos totalmente dispensáveis no nosso quotidiano. Se as palhinhas forem essenciais para os nossos filhos, já existem no mercado opções reutilizáveis. Ao mesmo tempo, não temos necessidade nenhuma de ensacar tudo e mais alguma coisa nas nossas compras. Não precisamos de utilizar sacos de plástico quando compramos produtos alimentares como meloas, bananas ou laranjas. Mesmo produtos que necessitem de alguma embalagem, os próprios estabelecimentos comerciais deveriam optar por sacos de papel. E nós como consumidores podemos solicitar isso nos locais onde compramos. Optar por embalagens de vidro de tara retornável é outra forma simples de minorar os resíduos produzidos. E podemos facilmente chegar a outros exemplos.

Numa próxima oportunidade debruçar-me-ei na questão da reutilização.

 

Miguel Dias

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