Mal sentei de frente ao PC, ocorreu-me trazer para a minha folha do Word o que de mais importante aconteceu este ano em termos económicos, políticos, desportivos, musicais e ambientais. Uma espécie de retrospectiva, à semelhança do que fazem os Jornais e Revistas de referência, nesta altura do Ano. Mas tive receio de cair na mesmice e achei que a crónica poderia ficar bastante “massuda”. Rapidamente pensei que poderia fazer uma retrospectiva, mas ao meu jeito. Como fervoroso apreciador do desporto-rei, lembra-me, por exemplo, as últimas Jornadas da Liga NOS, da época passada – SL Benfica e Sporting CP “taco a taco” a lutarem pelo Título de Campeão Nacional. Ora ganhava um ora ganhava outro. Nos cafés faziam-se apostas quem seria o Campeão. O Benfica perseguia o Tri-Campeonato que lhe escapava desde 1976/77. A dada altura parecia estar a perder o fulgor – a época já ia longa – estávamos em Maio e os “encarnados” ainda lutavam por um lugar nas “meias” da Taça/Liga dos Campeões Europeus – “caiu” em pé nos “quartos” diante do “Super” Bayern Munique. O Campeonato aproximava-se da recta final. “Leões” e “Águias” não desarmavam. Quando os benfiquistas esfregavam a mão de contentes, o Sporting demonstrava que estava ali para lutar até a última gota de sangue. Na Semana seguinte, era a vez da “nação leonina” em uníssono esperar por uma escorregadela das “águias”. Mas o Benfica também não desarmava e tivemos Liga até à última Jornada. Quão emocionante foi. Estava escrito que a Liga seria decidida na Luz e em Braga. 90 e poucos minutos depois, já se ouviam os fuguetes de Campeão Nacional. E depois foram os festejos no Marquês – principal palco das celebrações dos Clubes de Lisboa. Rui Vitória conquistava o seu primeiro Título de Campeão Nacional. Acredito que este teve um sabor especial pelo facto de ter sido o primeiro. Terminado o Campeonato Nacional, a prioridade dos “amantes” do futebol passou a ser o Europeu de França – disputado pela primeira vez com 24 países. Os nossos Jornais desportivos tentavam adivinhar as escolhas do Engenheiro Fernando Santos, lançando as bases para a discussão de quem deveria constar da convocatória final – já se sabe que não há convocatórias que agradem a todos. Eis os 23 “heróis do mar”… Fernando Santos no seu jeito simples e prático – iam dizendo que Portugal iria disputar o “Euro” respeitando os adversários, mas com pensamento na passagem à fase seguinte e “assobiava” para o lado se a chamada do “Manel” não agradava ao Clube A ou ao Dono do Café da Esquina e muito menos aos “Treinadores de Bancada” dos inúmeros programas de TV que esmiúçam o futebol. Antes da viagem para França, 3 jogos de preparação que deixaram-nos com a certeza que a Selecção Nacional não ía passear a Torre Eiffel muito menos fazer uma excursão guiada a “très belle” Catedral de Notre-Dame. 3 jogos e outros tantos empates chegaram para atingir o primeiro grande objectivo – passar à fase seguinte. Mas pela forma “encolhida” que a equipa se apresentou nos jogos da fase de grupo, fez soar o pessimismo lusitano. Eis que Fernando Santos apelou ao patriotismo pedindo que apoiássemos os jogadores, sem olhar a quem. Quando eliminou a Cróacia de Modric, o Engenheiro surpreendeu tudo e todos quando afirmou no “flash-interview” que havia avisado a família que voltaria para casa apenas depois de 10 de Julho… Santos fazia jus ao nome – por esta altura, os “deuses da fortuna” estavam todos com Portugal e o País rendia-se a Fé inabalável do “Shôr” Engenheiro. Mas para chegar ao jogo de todas as decisões, Portugal tinha que ultrapassar nas meias-finais o País de Gales de Gareth Bale e Companhia. Suados 90 minutos, Portugal ultrapassava mais um “osso duro de roer”, e estava na tão ambicionada e aguardada Final de Paris. O sorteio ditou que Portugal iria cruzar-se com a Alemanha ou a França na Final. Nesta altura, fosse quem fosse o adversário, Portugal tinha toda a legitimidade de almejar levantar o “caneco”. O sonho que “comandava” os eleitos de Fernando Santos estava a 90 minutos de distância. Também por dois golos sem resposta, a França “despachou” a “national mannschaft” nas “meias” e iria tentar, contra Portugal, levantar o “caneco” que lhe escapa desde 2000. Portugal tinha aqui uma excelente oportunidade de se “vingar” de outras decisões com o mesmo adversário que ainda hoje permanecem na minha memória – mão (?) de Abel Xavier no “Euro” 2000 e Mundial 2006 ambos com golos de “Zizou” na marca dos 11 metros.

10/07, 20h – Estádio à pinha. Os fotógrafos “disputavam” entre si o melhor lugar para captar, para a posteridade, as melhores fotos dos “onzes” iniciais. Ouviu-se mais alto a portuguesa que a marselhese. Parecia que jogávamos em casa. Antes, David Guetta e Zara Larsson interpretaram “This One´s For You”, para animar os presentes e mostrar ao mundo que o futebol é uma festa e que deve ser aproveitado cada vez mais como “motor de aproximação” entre os povos apesar das nossas diferenças. Minutos depois a bola já rolava no relvado do magnifico Stade de France. O “onze” dos “bleus” impressionava – com Pogba, Matuidi, Griezmann e Moussa Sissoko a espalharem “magia” pelo relvado. Mas os nossos jogadores foram verdadeiros “heróis do mar” – nobres -valentes e nem a saída por lesão de Cristiano abalou as “tropas”. Fonte, Pepe, William, Renato e J. Mário, chegavam para as “encomendas” e ameaçavam aqui e ali a baliza de Lloris. Numa altura em que a voz do coração falava mais alto e tudo indicava que o jogo seria decidido nas grandes penalidades… Fernando Santos, qual génio, fez entrar o “patinho feio”. Éder tinha poucos minutos para mostrar que o Engenheiro é que tinha razão quando o convocou. Minuto 109… Moutinho recupera a bola e combina com Éder que rapidamente desenvencilha-se de Sissoko – para irritação de Pogba e remata certeiro na passada, na “cara” de Umtiti- qual “Pantera Negra” – “tiro” que só parou no fundo da baliza do “desamparado” Lloris. Explosão de alegria no banco – já ninguém conseguia ficar sentado – cantava-se de novo a portuguesa nas bancadas. A glória estava ali a escassos 11 minutos. Faltava pouco tempo para terminar o jogo e a vitória não mais escapava a “Cristiano & Companhia”. Portugal acabava de se sagrar Campeão Europeu pela primeira vez no seu historial. Foi a vitória da crença – do acreditar – da união e espírito de grupo – de uma Selecção que não se intimidou diante dos adversários e que teve no Engenheiro o grande “arquitecto” deste enorme feito Lusitano, que a todos nos envaidece.

Será pedir muito que façam o mesmo no Mundial da Rússia?

Se a crença for à mesma, acredito que vem aí outro grande feito Lusitano.

Obs: Foi com profunda consternação que vi partir no dia de Natal, mais uma estrela da música. Desta vez o “convocado” foi Georgios Kyriacos Panayiotou (George Michael, para a música). Prefiro lembrar-me do grande músico que foi – do enorme contributo que deu para o engrandecimento do estilo Pop. Quem não se lembra dos Wham! e o “eterno” Last Christmas ou de Freedom!?! Que a sua alma descanse em paz. George, thanks for everything!

Festas Felizes, malta!

 

Assina: Manuel Mendes

Gestor Imobiliário

PS (Post Scriptum): Manuel Mendes opta por escrever na antiga ortografia da língua portuguesa.

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