Atual situação do Centro Hospitalar Barreiro/Montijo em reflexão na reunião do Observatório Municipal da Saúde

“O Centro Hospital Barreiro/Montijo pode ser um fator importante do desenvolvimento e do futuro do Barreiro. As populações, profissionais de saúde e eleitos devem defendê-lo numa só voz”, referiu Carlos Humberto de Carvalho, no encerramento da reunião do Observatório Municipal da Saúde realizada, ontem, 14 de abril, no auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro. A iniciativa inseriu-se na programação da Quinzena da Solidariedade e do Voluntariado.

 

Ao longo de mais de duas horas foi debatida esta temática por Jorge Espirito Santo e Leonel Rodrigues, membros do Observatório e profissionais no Centro Hospitalar Barreiro/Montijo, António Negrão, administrador hospitalar no litoral alentejano. A moderação esteve a cargo de Maria Fernanda Ventura, presidente da Associação das Mulheres com Patologia Mamária.

 

Tendo em conta as notícias divulgadas recentemente sobre a atual situação desta unidade hospitalar levaram à escolha deste tema para discussão, como explicou a Vereadora Regina Janeiro, com responsabilidade na área da Saúde, no início da sessão.

 

“Uma política de desfavor em relação a outras unidades hospitalares” referiu o médico oncologista Jorge Espirito Santo, lamentando que nos últimos anos a opção tenha sido reduzir o orçamento na área da saúde, “de uma forma transversal, nos cortes de salários e nos cortes dos serviços que puseram em causa as prestações de cuidados”. Informou que o Centro Hospitalar foi a unidade hospitalar que teve mais cortes na Região. “Houve uma vontade de estabelecer uma situação de retaguarda”. Sublinhou que “deve-se tirar o melhor partido que os hospitais públicos da Península de Setúbal podem fazer. É para isso que o Barreiro tem lutado para que se estabeleça uma coordenação e não se privilegie uns em detrimentos de outros”.

Na sua opinião, a existência de uma instituição hospitalar na Região “promove-a economicamente e é preciso que a comunidade reconheça que assim é”.

 

Por seu lado, Leonel Rodrigues fez uma retrospetiva dos 30 anos do Hospital em paralelo com os outros dois hospitais da Região. Em 1986, estava numa situação vantajosa, nessa altura, com cerca de 500 camas. Era um pequeno Hospital Central, com os serviços de cardiologia, ginecologia, um departamento de saúde mental, pediatria, cirurgia plástica, entre outros.

Na década de 90 surge o Hospital Garcia de Orta, em Almada, que em 2003 passa a Central. O Hospital de Setúbal em 1997 aumentou o número de camas. Leonel Rodrigues sublinhou que a década de 90 revelou-se “uma oportunidade perdida para o Hospital do Barreiro”.

Considera que a sua “capacidade operacional instalada está fortemente condicionada”. É perante este desafio que segundo Leonel Rodrigues “têm de ser encontradas soluções ao nível de renovação dos recursos humanos e investimento da estrutura. Em termos sustentabilidade, temos de encontrar projetos específicos sem concorrência nos outros hospitais”.

 

Em relação à existência de centros hospitalares no País, o administrador hospitalar António Negrão, não defende este modelo. “Os hospitais não devem tratados como empresas multinacionais”.

Defende que a Portaria 82/2014, em vigor, reduz a capacidade de todos os hospitais da Península Setúbal. Defende que é possível a sua substituição. “Hoje há condições para repensar as valências dos hospitais”. Adianta que devem ser reforçados os serviços e valências dos hospitais públicos existentes.

 

No período de debate foram lamentadas as deficientes condições do Centro Hospitalar.

 

Carlos Humberto de Carvalho sublinhou que o Centro Hospitalar Barreiro-Montijo pode ser um fator importante do desenvolvimento e do futuro do Barreiro. “Não é possível concretizar um polo logístico e tecnológico se não tivermos um Centro Hospitalar com capacidade para responder ao desenvolvimento do Concelho”.

No encerramento da reunião, onde foi feito um diagnóstico global da situação do Centro Hospitalar no contexto da região de Setúbal, defende que “é preciso saber o que queremos, entre o ideal e o que é razoável pedir no atual contexto”. Mostrou-se disponível para ser o porta-voz dos cidadãos do Barreiro no que diz respeito às questões do Centro Hospitalar.  Acredita numa visão global para o serviço hospitalar na Região. “É preciso que os hospitais se complementem e é preciso que tenham serviços diferenciadores. Qual é o do Barreiro? É o serviço de oncologia e radioterapia? Queremos um hospital das 300 camas ou das 500 como inicialmente? Quais as valências que consideramos imprescindíveis e as desejáveis?”. Carlos Humberto de Carvalho está disponível para refletir com quem conhece e com eles construir a solução.

Sem perder a visão da Região, considera primordial um entendimento ao nível dos quatro municípios que são servidos pelo Centro Hospitalar Barreiro/Montijo. “Primeiro patamar é de nos entendermos e definirmos o que queremos. Uma reflexão que tem de ser feita ao nível dos eleitos, dos profissionais da saúde e das administrações dos três hospitais, de Almada, Barreiro e Setúbal”.

Para a próxima reunião do Observatório sugeriu que se definam propostas para serem discutidas depois pelos quatro municípios, para depois levá-las para as instâncias que decidem. É imprescindível para o Presidente juntar as populações, os profissionais de saúde e os eleitos numa só voz.

 

Em resposta a um pedido de esclarecimento sobre que infraestruturas estão previstas para ligar o Barreiro ao Concelho do Seixal, o Presidente informou que será construído um passadiço ciclável e pedonal, uma infraestrutura intermunicipal, que fará a ligação ao Seixal, num investimento de cerca de 4 milhões de euros a dividir pelos dois concelhos e que será financiado em 50% com fundos comunitários. A médio prazo, adiantou que está prevista a vinda do Metro Sul do Tejo ao Barreiro por esse mesmo local. Lutamos e combatemos para que haja uma ponte rodoviária para o Seixal no enfiamento dos Galitos pelo IC21 com ligação ao Seixal esta é uma responsabilidade do Governo.

 

Concerto Solidário no último dia da Quinzena

Recorde-se que a Quinzena da Saúde, da Solidariedade e do Voluntariado, promovida pela Câmara Municipal do Barreiro, em parceria com diversas entidades, está a decorrer desde o dia 5 de abril, terminando hoje, 15 de abril, com o Concerto Solidário com a participação da Banda do MotoClube e Banda Entretantos, no Motoclube do Barreiro. Os espetadores deverão levar produtos de higiene e roupa de bebé que serão entregues a várias Instituições de Solidariedade Social.

 

Foram várias as iniciativas que fizeram parte do programa e contaram com a participação dos barreirenses, nomeadamente a Exposição de “Arte Floral em Gregas” (patente até 21 de abril na Cooperativa Cultural Popular Barreirense), debates e ações de sensibilização sobre saúde, alimentação e violência sobre idosos, a 2ª Edição do Concurso de Trauma, caminhadas e aulas de ginástica, entre muitas outras.

No dia 13, inserida também na programação da Quinzena, decorreu a apresentação nacional do FIT Escola, uma plataforma interativa, desenvolvida pela Direção-Geral da Educação e Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, de apoio à atividade dos docentes de Educação Física e de sensibilização de alunos e encarregados de educação para a importância da atividade física e desportiva e da aptidão física (mais informações emhttp://desportoescolar.dge.mec.pt/fit-escola). Na mesma iniciativa foi também apresentado o projeto “Expressão Físico-Motora no 1º ciclo do Ensino Básico no Agrupamento de Escolas Augusto Cabrita”.

Estas apresentações, dirigidas a professores de Educação Física, contaram com sala cheia, no Auditório da Biblioteca Municipal. Na iniciativa, o Presidente da CMB, Carlos Humberto de Carvalho, referiu que a “escola é um pilar da Democracia portuguesa extraordinariamente importante para a evolução da sociedade” e que pode “ajudar ao desenvolvimento equilibrado do ser humano”. Neste sentido, salientou a importância da atividade física e desportiva nas escolas.

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