A Secretaria de Estado da Cultura fixou, através da Portaria n.º 265/2014, publicada no Diário da República, 2.ª série, n.º 71, de 10 de abril, a Zona Especial de Proteção (ZEP) da Quinta dos Olhos Bolidos, situada na União de Freguesias de Santiago do Cacém, Santa Cruz e São Bartolomeu da Serra, no Município de Santiago do Cacém, que já tinha sido entretanto classificada como Monumento de Interesse Público (MIP) pela Portaria n.º 740-EU/2012, publicada no Diário da República, 2.ª série, n.º 252 (suplemento), de 31 de dezembro.

O diploma publicado define uma ZEP que tem em consideração a localização e o enquadramento paisagístico do imóvel, incluindo a extensão da propriedade na qual se insere, bem como os limites das vizinhas quintas do Meio, de São João e do Pomar Grande, outrora um todo fundiário, bem como as nascentes que alimentam o seu sistema hidráulico. A sua fixação visa garantir a integridade da área rural circundante, salvaguardando a relação entre as zonas de recreio e lazer e as de produção agrícola, protegendo o imóvel na sua envolvente e assegurando as perspetivas de contemplação e os pontos de vista que constituem a respetiva bacia visual.

A propriedade é constituída por uma zona habitacional de caráter rústico, adequada à sua dupla condição de quinta de recreio e de produção agrícola, e por uma área rural que inclui jardins de notável beleza, com magníficas espécies exóticas, um complexo sistema hidráulico e uma casa de fresco erguida sobre gruta artificial (fonte: www.dre.pt).

Tudo indica que esta quinta tenha pertencido ao bispo D. António Paes Godinho, que foi provisor no arcebispado de Lisboa e dignitário, por um curto período, da diocese de Nanquim (China). Este alto personagem da hierarquia católica viveu também na vila de Santiago do Cacém durante cerca de vinte anos (cerca da década de 1740-1760), onde ainda hoje subsiste o topónimo de Rua do Bispo.

As casas de morada da quinta não são de grandes dimensões, situação que no entanto é compensada pelos jardins e fontes que se encontram espalhadas por todo o espaço. De entre estes elementos da paisagem, destaca-se a Casa da Cascata, uma construção de pequenas dimensões situada sobre uma gruta artificial − uma lapinha −, tão ao gosto do século XVIII. O seu interior está totalmente revestido por conchas, seixos rolados e pratos de porcelana chinesa, tendo como pano de fundo uma cascata de água, de construção artificial.

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