Santiago do Cacém viveu, no dia 17 de outubro, um momento histórico. Cumpridos que estão 120 anos da vinda do primeiro carro para Portugal, o Panhard & Levassor regressou ao seu primeiro destino e cativou centenas de curiosos, que puderam observar de perto uma autêntica relíquia.

O Panhard & Levassor, que esteve em exposição na tarde de sábado junto à Câmara Municipal, foi mesmo a principal atração dos dois dias (17 e 18 de outubro) das Comemorações dos 120 Anos do Automóvel em Portugal, uma organização conjunta entre a Câmara Municipal de Santiago do Cacém e o Clube de Automóveis Antigos da Costa Azul, com o apoio do Automóvel Club de Portugal (ACP).

Álvaro Beijinha, Presidente da CMSC, classificou o momento como “uma oportunidade única para os santiaguenses e para quem nos visita. Santiago do Cacém está de Parabéns”, sublinha. O acontecimento foi também “uma forma de projetar Santiago do Cacém do ponto de vista cultural e turístico, este ano com a particularidade de termos cá o primeiro carro”, não deixando de fazer um “agradecimento ao ACP”, entidade à qual pertence o Panhard & Levassor, cuja matrícula (AA – 00 – 01) é, também ela, histórica.

A tarde foi animada com um desfile de meia centena de carros antigos e por uma gincana na Avenida D. Nuno Álvares Pereira, ainda antes do descerramento de uma placa evocativa dos 120 anos da chegada do primeiro automóvel a Portugal, junto ao edifício da Antena Miróbriga, onde se situou a primeira garagem do Panhard & Levassor.

No domingo, a elegante caravana desfilou ainda pelas tuas de Vila Nova de Santo André.
Sobre o Panhard & Levassor
Há 120 anos, em outubro de 1895, desembarcou, em Lisboa, o primeiro automóvel importado para Portugal. Proveniente de Paris, o Panhard & Levassor foi esperado com impaciência por D. Jorge d’Avillez, um jovem aristocrata de Santiago do Cacém.
A entrada desta estranha “mercadoria”, na Alfândega de Lisboa, levanta, desde logo, a dúvida sobre que taxa aduaneira aplicar: seria uma máquina agrícola ou uma locomóvel (máquina movida a vapor)? Adota-se esta última definição.
Depois da montagem das várias componentes numa oficina de carruagens e da colocação em marcha do seu motor de explosão, o Panhard & Levassor inicia a sua primeira viagem – que foi também a primeira viagem de automóvel em solo português −, com destino à casa D’Avillez em Santiago do Cacém.
À entrada da vila de Palmela, surge um burro no meio da estrada, que se recusa a arredar com a sua típica teimosia. O choque é inevitável e do atropelamento resulta a morte do burro. O dono vê-se então recompensado da sua significativa perda com a quantia de dezoito mil réis, o triplo do valor de um burro naquela época.
A uma velocidade máxima de 15 km /hora, o Panhard & Levassor demorou três dias a realizar a viagem histórica para Santiago do Cacém, viagem essa marcada por um conjunto um assinalável de peripécias, para as quais a inexperiência dos tripulantes e a qualidade das estradas também contribuíram.
Três homens protagonizaram esta aventura: D. Jorge D’Avillez; Jules Phillipe, engenheiro na região, e Hidalgo Vilhena, outro santiaguense, pioneiro na arte fotográfica da época. A chegada do Panhard & Levassor ao seu destino, Santiago do Cacém, causou uma enorme sensação de entusiasmo e pasmo entre os habitantes da localidade.
O Panhard & Levassor pertence ao Automóvel Club de Portugal e destaca-se no Museu dos Transportes e Comunicações.