Em tempos era a saudade que nos definia.

Contudo hoje, o modo como nos relacionamos evoluiu, com direito a todas as suas agradáveis e desagradáveis consequências. E estas ultimas beneficiam de uma camuflagem que será de imediato exposta.

Século XXI, oferece-nos tanto num tão curto intervalo de tempo, tornando-se difícil assimilar tudo isso a bom ritmo. Falo sobretudo dos avanços tecnológicos que nos permitiram aproximar de tal modo que sentimos uma estranha “desnecessidade” de sentir verdadeira saudade, dando como exemplo os aplicativos WhatsApp e Messenger. A facilidade com que partilhamos, fotos, vídeos e experiências dão a falsa sensação de estarmos perto uns dos outros, sendo que tal contribui para a crescente solidão da nossa sociedade. 

Vemos que já não é preciso gastar tanto tempo e recursos para estarmos com amigos e familiares, esquecendo a qualidade profunda que existe nos encontros directos com as pessoas de quem gostamos. Acabamos por cair no ciclo interminável de pensar que conhecemos os outros através das redes sociais, quando estas plataformas apenas mostram a vida de plástico que o utilizador pretende demonstrar. Isso responde à pergunta: Como é possível nos sentirmos sozinhos quando estamos rodeados de milhões de pessoas?

Partindo do princípio que somos um ser social, deveríamos pensar noutro tipo de plataformas para nos unirmos, a começar pelos nossos vizinhos, que estão constantemente perto de nós, apesar de só lhes dizermos os bons dias e conhecermos a cor da porta de entrada. 

O refúgio nas tecnologias abre janelas a um infindável mundo de possibilidades, que de imediato tiramos proveito. Todavia, a partir de agora, tiremos o véu e a máscara aos efeitos secundários que não vieram escritos na bula. Temos que comunicar realmente, de corpo, espírito e alma.

E assim, em tempos era a saudade que nos definia.

Mauro Hilário

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