Andar na rua sem olhar para trás. Sair de casa sem pensar se o sol se pôs, ou não. Usufruir dos transportes públicos sem esconder o telemóvel.

A banalidade das afirmações anteriores perde-se ao relegar-nos a uma condição de incredulidade com a realidade que marca a vivência na nossa cidade. No Barreiro olhar por cima do ombro é condição necessária à sobrevivência. No Barreiro sair de casa depois do sol posto é ser absorvido pela escuridão da noite e as sombras que abraçam cada recanto. No Barreiro é corajoso quem ousa utilizar um dispositivo electrónico nos autocarros públicos que servem o Concelho.

O Barreiro não é seguro, como não o é grande parte do nosso Distrito. O problema, no entanto, não se circunscreve à criminalidade per si e adquire proporções tendencialmente crescentes e certamente preocupantes. A sensação de insegurança serve de ignição a um conjunto de respostas, conscientes ou não, que afastam as pessoas da cidade e que, por outro lado, afastam a cidade das pessoas.

A Margem Sul, e o Barreiro em particular, conquistaram com o passar do tempo um reconhecimento quase generalizado junto de populações não locais. Todos sabem quem nós somos, enquanto Distrito. Todos sabem cá chegar. Todos conhecem a Soflusa e a Transtejo, a Fertagus e as pontes. Todos sabem quem nós somos, mas ninguém quer ser como nós. Ninguém quer sequer ousar atravessar o Tejo e pisar terra no maior deserto português.

E se assim o é com amigos e familiares, como será com investidores e empreendedores? O sentimento de insegurança é uma barreira efectiva ao investimento e, por isso, ao crescimento económico. E se assim o é com amigos e familiares, como será com os jovens que sonham constituir família? O sentimento de insegurança contraria o sentimento de pertença e impele os jovens a virar costas à cidade que os viu nascer.

O Barreiro é agora e é agora que a mudança se exige. É agora, já sendo tarde, o momento de contrariar as estatísticas e erradicar a criminalidade. É agora, já sendo tarde, o momento de desconstruir a actual imagem externa da Margem Sul, enquanto pináculo do crime.

Falando de números, que nunca se enganam e que espelham o que as palavra não conseguem, o Barreiro surge, juntamente com o Seixal, no topo das preocupações das forças de segurança do nosso Comando Distrital. Em 2014, ano dos últimos dados disponíveis, verificaram-se mais de 2300 crimes registados pela Polícia de Segurança Pública, aos quais se acrescem mais de 500 anotados pela Guarda Nacional Republicana e cerca de 20 respondidos pela Polícia Judiciária.

Na sua tipologia, o Concelho que aqui representamos, manifesta especial incidência em crimes contra o património. Sendo verdade esta afirmação, não o é menos que este não é o subgrupo que mais nos preocupa. Os crimes contra pessoas são, também eles, de grande volume e são estes que mais propagam o medo. São estes, que resultam de abordagens directas, aqueles que repelem da nossa cidade, e do nosso distrito, quem aqui não nasceu.

Não podemos, no entanto, deixar de notar o decréscimo que se verifica de ano para ano. A redução é evidente, é, mas é também insuficiente! E será sempre, até que se comece a verificar, verdadeiramente, uma alteração no sentimento de segurança. Porque os números dão-nos a factualidade que falta às palavras, mas no fim são as pessoas, e aquilo que elas proferem, que conduzem à mudança das mentalidades.

Não nos conformamos! Não nos conformamos com o que ouvimos da nossa terra quando nela não estamos. Não nos conformamos com o que nos dizem os jovens quando com eles conversamos. Não nos conformamos com justificações pré-estabelecidas para o flagelo que aqui denunciamos. Não nos conformamos!

Urge produzir um conjunto de medidas que permitam combater a imagem que até hoje se criou da Margem Sul do Tejo. A nossa marca é tão significante quanto aquilo que a população diz que é e enquanto o preconceito, que não o é na verdade, não for eficazmente eliminado, não poderemos sonhar mais alto.

A Margem Sul, Setúbal e o Barreiro não podem continuar a ser o lado obscuro do rio que separa as margens. A Margem Sul, Setúbal e o Barreiro têm de ser, simplesmente, outra face da mesma moeda que é Lisboa, não perdendo a identidade que nos caracteriza.

E é por isso que a Segurança é fundamental a qualquer programa político apresentado no nosso discurso. A Segurança, no nosso Distrito, é pilar basilar na construção do futuro que almejamos. Só com um Distrito seguro poderemos construir um Distrito futuro.

E a Segurança, naquele que é o nosso maior anseio, tem de ser garantida para os jovens. Para que estes se fixem na nossa cidade, para que estes formem família, para que estes criem emprego e oportunidades, para que estes invistam, para que estes consumam, para que estes vivam em pleno no berço onde cresceram.

Somos responsáveis. E ser responsável é não só proceder a uma identificação dos problemas, mas acima de tudo apresentar soluções para os mesmos. Ser responsável é não nos alhearmos da responsabilidade que nos é imposta e que impomos, também, a nós próprios. Ser responsável é construir.

Somos responsáveis e por isso construímos. Somos responsáveis e por isso propomos a instalação de um sistema de video-vigilância nas zonas tendencialmente mais perigosas da cidade. Um sistema que é mais que qualquer outra coisa, uma medida de dissuasão. Mas é também uma forma eficaz de identificação dos promotores de actos criminosos.

Existem por toda a Europa, existem em Portugal, não existem no Barreiro por preconceito ideológico. E hipotecar a segurança justificando-se com a cartilha ideológica não é, para nós, aceitável. É até deplorável e ofensivo. Para os cidadãos, para os pequenos comerciantes, para as forças de segurança!

Somos responsáveis e propomos. Propomos uma melhoria significativa na iluminação pública, com especial atenção às zonas reconhecidamente perigosas. A noite e a escuridão são o palco ideal para a apresentação de uma peça de crime. A luz, essa, intimida quem tenciona violar a privacidade de outrém e transmite segurança a quem apenas quer viver.

O Barreiro Velho é disso exemplo. Degradado, escuro, sombrio, com cantos e recantos que se multiplicam entre as casas devolutas e as ruelas obscuras. Iluminado era diferente. Seguro não seria, porque a luz por si só não protege, mas é um começo para um fim maior.

 

Continuando no Barreiro Velho não podemos deixar de assinalar a degradação que caracteriza a zona. As ruínas, os gradeamentos provisórios que são já paisagem constante, os edifícios abandonados e devolutos, as janelas de vidros partidos, as portas com madeira a cobrir, as estradas e passeios que remontam ao medieval. Segurança?! Assim não!

 

Cabe ao Executivo Municipal promover uma revitalização da zona. Cabe ao Executivo Municipal criar incentivos fiscais para quem requalificar habitações. Cabe ao Executivo Municipal facilitar os processos de requalificação em si. Cabe ao Executivo Municipal requalificar aquilo que é de domínio público para que os privados se sintam cativados a fazer o mesmo. Cabe ao Executivo Municipal aproveitar a proximidade ao rio enquanto atractivo ao investimento. Cabe ao Executivo Municipal desenvolver as ligações do Barreiro Velho à zona ribeirinha, mas também do Barreiro Velho ao centro do Barreiro.

 

Somos responsáveis e por isso continuamos a propor. Propomos a criação de um corpo Municipal de Polícia. Um corpo de dimensões reduzidas, como os há um pouco por todo o nosso território. Mas um corpo efectivo e eficaz, um corpo cuja missão passaria pelo combate aos delitos menores, libertando efectivos dos restantes corpos para o combate à criminalidade que nos preocupa verdadeiramente.

 

Uma Polícia com funções na fiscalização do estacionamento indevido ou abusivo, na resolução de desacatos de pequena dimensão, na fiscalização do cumprimento de horários e demais limitações pelos estabelecimentos comerciais.

 

Somos responsáveis e para além de propor cabe-nos relembrar e pressionar quem tem poder para decidir. Não nos esquecemos do protocolo assinado pelo anterior Governo, juntamente com a Câmara Municipal do Barreiro e a PSP, para a construção da Esquadra no Barreiro Velho. Se cabe ao Executivo Municipal requalificar a zona, cabe ao Executivo Nacional garantir que a Esquadra é uma realidade num futuro próximo.

 

O futuro temo-lo nas mãos. Tomemos as rédeas da condução política do nosso Concelho e do nosso Distrito e continuemos a defender os jovens que representamos. Hoje, como ontem e como amanhã, apresentamos a nossa visão da cidade que nos acolhe. Uma cidade onde queremos sentir-nos seguros, para que possamos senti-la por inteiro.

A JSD Barreiro propõe assim:

  • Instalação de um Sistema de Video-Vigilância em zonas identificadas;
  • Melhoria na Iluminação Pública em zonas identificadas;
  • Requalificação do Barreiro Velho;
  • Criação de um corpo de Polícia Municipal;
  • Pressionar quem de direito para a rápida instalação da Esquadra do Barreiro Velho;

 

A Comissão Política da Juventude Social Democrata do Barreiro

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