Seixal- AUTÁRQUICAS- ÚLTIMA HORA, ANUNCIO OFICIAL:

Sou Candidato à Câmara !

 

Estamos perante a mais prosaica das ironias no nosso município. O autoproclamado concelho de abril estará prestes a uma mudança política histórica que porá fim a uma governação de mais de 40 anos do partido que se autoproclamou como “o garante das liberdades e de Abril”. Para cúmulo, a única coisa que precisa de acontecer é: o normal funcionamento da democracia. É das ironias mais extraordinárias com que me deparei nos últimos tempos.

Fiz o exercício de ir ver os resultados eleitorais autárquicos desde o 25 de abril de 1974 até 2013 e daí parto para esta afirmação. A hegemonia comunista é incontestável, de tal forma que, por exemplo, nas eleições de 1985 a única oposição ao PCP era o PS e o PCTP/MRPP, ou seja, não havia sequer vestígios de direita no Seixal. Precisamente, nessas eleições atingiriam um máximo histórico de 61% dos votos.

Da primeira parte da minha afirmação, acredito que estamos numa mudança de ciclo gradual se virmos que desde o princípio do século o partido comunista ficou sempre abaixo dos 50% de votos, muito longe dos resultados da década de 70 e 80. Da segunda parte, analisando os últimos resultados de 2013, é possível ver que a maioria que sustenta o seu mandato teve, finalmente, muito próxima de ser perdida com uns meros 43%, relegando para 2017 a quase certeza de que irá se consumar o fim do legado.

A terceira parte da afirmação contém, provavelmente, o mais revelador dos dados e por isso merece um parágrafo particular: a taxa de abstenção é enormíssima e no mínimo incoerente ou mesmo ultrajante para com o “Concelho de Abril”. Desde 1997 a abstenção superou sempre os 50%, o que perante a realidade de Portugal não é anormal, mas quando em 2013 chega aos 61%, é preocupante. Ou seja, em 2013, apenas 38,86% exerceram o seu direito e dever cívico. Estavam inscritos para esta eleição 134 303 eleitores, apenas 52 185 compareceram e desses 22658 votaram nos comunistas. Resumindo menos de 2 em 10 pessoas desejou o partido comunista para governar os nossos destinos. Por isso, sou forçado a reformular a minha frase original, o “Concelho de Abril” não é comunista há pelo menos 20 anos, mas antes abstencionista, com certeza.  O comunismo no Seixal arrisca-se a ser uma mera manifestação geracional, apenas isso!

Sabendo do fim que se aproxima veremos em breve as velhas táticas que pensávamos ultrapassadas voltarem em força e pujança. Eles não estão interessados em combater a abstenção, mas antes mobilizar as suas estruturas, o que são coisas diferentes. Como tal, é preciso fazer a democracia funcionar e pôr fim à abstenção, é por aí que passa a mudança! A ironia de quem durante anos se prestava a sentimentos paternalistas ao povo verá agora o seu fim pelas mãos dele.

É evidente que a realidade do concelho do Seixal é mais ou menos semelhante com a dos restantes concelhos do Distrito de Setúbal. A erosão do PCP faz-se sentir e a falta de renovação geracional acelera o fim de quem intrinsecamente defende um ideal estéril como é o do marxismo, que aliás ficou mais do que comprovado em 40 anos.

 

Quanto ao título perdoar-me-ão, certamente os recursos estilísticos exagerados e juntos veremos em 2017 a mais prosaica das ironias no Seixal.

José Maria Matias