Quase 2 anos volvidos do seu Congresso fundador no Porto ocorrido a 31 de Janeiro e 1 de Fevereiro de 2014, o LIVRE continua vivo, ao contrário do que muitos arautos da desgraça previam desde o seu surgimento. Depois das legislativas de 2015 e do fracasso eleitoral num quadro de convergência com outras forças de esquerda, na candidatura cidadã Tempo de Avançar, o LIVRE entrou num processo de profunda reflexão, que culminou no Congresso Eletivo do passado dia 20 de Dezembro em Lisboa, de onde surgiram os novos órgãos do partido.

O facto de numa fase particularmente difícil surgirem pessoas que acreditam o suficiente neste projeto político para dedicarem os próximos 2 anos ao seu desenvolvimento e fortalecimento é por si só prova de que existe futuro para o LIVRE. Tal foi a opinião generalizada dos seus membros e apoiantes nos últimos 3 meses. É certo que toda esta boa vontade pode não chegar para que o LIVRE tenha sucesso, mas que é um ótimo ponto de partida, não temos dúvida.

Por estes lados apostamos num partido do século XXI. Um partido aberto, democrático e plural. Um partido cooperativo, onde todos participam ativamente na construção do mesmo. Foi assim que o LIVRE surgiu e assim continuará. Por ser o único partido político em Portugal com esta forma de organização inscrita no seu ADN, onde os programas são discutidos e emendados por todos, onde qualquer membro pode apresentar a sua candidatura pessoal à Assembleia do partido, onde os/as candidatos/as são escolhidos em sede de primárias abertas, o LIVRE constitui um salto qualitativo no tempo significativo, neste cantinho sempre habituado a receber os impulsos e mudanças sociais e políticas com algum atraso. Aqui dentro habitam cidadãos que não se limitam ao exercício do voto. Porque a democracia não se esgota nos atos eleitorais e porque queremos mais, muitos mais iniciativa cidadã, quer local, quer centralmente.

O LIVRE é também o partido que trata os géneros verdadeiramente por igual. Desde a sua origem que apresentou listas a eleições respeitando o princípio da paridade de género. Esse método é também utilizado internamente nos órgãos do partido. Estamos cientes que não é apenas por isso que um partido se torna mais democrático, mas torna-se sem dúvida mais plural e inclusivo. A imposição dessa regra a nós mesmos acabou por ter um resultado positivo no processo de seleção e no relacionamento interpessoal. Tal acabou por resultar numa atmosfera de salutar camaradagem e num partido onde as diferenças são respeitadas.

Nestes próximos 2 anos, tempo de duração dos mandatos dos órgãos do LIVRE, as apostas terão de ser múltiplas. Passarão necessariamente pelo alargamento das suas bases e pela angariação de mais membros e apoiantes. Mas passará também pela afirmação local, tentando formar Núcleos Territoriais em todos os distritos e regiões autónomas. Mas não nos esgotamos entre fronteiras. Curiosamente, um dos Núcleos Territoriais mais ativo é o de Bruxelas, um dos primeiros a ser criado. O que é particularmente feliz para um partido que tem na Europa um dos seus 4 pilares e na democratização das instituições europeias um dos seus principais desígnios. Uma Europa plena. Sem muros reerguidos ou fantasmas renascidos.

Entramos num biénio com desafios políticos muito próprios. Começamos com as presidenciais, onde o LIVRE foi o primeiro partido a declarar o apoio a um candidato, no caso Sampaio da Nóvoa. Esse apoio foi decidido através de um processo de referendo interno, alargado aos subscritores da candidatura cidadã Tempo de Avançar, pioneiro a nível nacional. Pela primeira vez foram as bases de um partido a ditar a vontade à sua Direção. Mais uma vez o LIVRE dá mostras de democratizar o funcionamento partidário.

Neste mesmo ano, em Setembro ou Outubro, teremos eleições regionais nos Açores, onde se encontra um Núcleo Territorial em constituição e onde pontificam pessoas com enorme valor e conhecimento, que com certeza granjearão um resultado valoroso para o LIVRE. Estou certo que poderemos, inclusivamente, eleger deputados/as à Assembleia Regional. Este facto será especialmente relevante para o partido, pois outro dos seus pilares constituintes é o da Ecologia. Os Açores funcionam em larga medida como uma reserva ecológica. Numa crescente harmonia entre homem e natureza. O LIVRE quer contribuir para esse incremento e para fazer da região uma referência mundial com um reconhecimento cada vez maior.

Já no decorrer de 2017 teremos as eleições autárquicas, uma prova de fogo para um partido ainda em fase de implantação. No entanto, afirmando-se o LIVRE como um partido que defende um modelo democrático de regionalização e descentralização do poder, não pode deixar de encarar as eleições para as autarquias locais como vitais para o seu percurso político e difusão dos seus ideais. Como partido pequeno, a estratégia a implantar nas autárquicas terá de ser adaptada ao local em questão e terá necessariamente uma geometria variável. Podemos ir a votos sozinhos ou coligados; ou simplesmente apoiando outras candidaturas partidárias ou movimentos cidadãos. No fundo, teremos de estar atentos a que a solução preconizada para determinado local dê resposta aos problemas e anseios dessa comunidade.

Esta é a árdua tarefa que os novos órgãos do LIVRE enfrentam. Um partido ideologicamente de Esquerda e convicto na defesa da Liberdade – os dois pilares restantes que edificam esta casa. Um partido que terá uma diminuta exposição mediática, mas que certamente conseguirá, através da criatividade e conhecimento que abundam nas suas fileiras, arranjar maneira de passar a mensagem. Porque em boa verdade, ainda agora começámos, e a partir do momento em que o LIVRE começar a ser entendido, será apenas uma questão de tempo para que os resultados reflitam o seu real valor.

Montijo, de 11 Janeiro de 2016

Miguel Dias

Membro do Grupo de Contacto do LIVRE

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