O secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, manifestou-se esta quarta-feira confiante quanto ao investimento na modernização dos acessos ferroviários à zona central do Porto de Setúbal que aproveita as infraestruturas que existiam, melhora-as, reduz os custos do transporte e transfere os benefícios para a economia.

“É um dos investimentos que estavam previstos no Plano Estratégico de Transportes e Infraestruturas (PETI) e que segue todos os objetivos do mesmo plano, ou seja, fecha uma ligação que era importante entre a rede ferroviária e o porto, eletrifica a linha, baixando o custo de transporte por comboio”, explicou, reiterando que “esse benefício não fica capturado, nem no porto nem na Refer (Rede Ferroviária Nacional), é todo transferido para a economia”.

“O investimento será feito tendo já reservado os fundos necessários para a sua execução, não estamos a anunciar projetos e/ou a assinar protocolos sem saber onde vamos buscar o dinheiro”, acrescentou Sérgio Monteiro, que falava aos jornalistas depois de presidir à assinatura de um protocolo para a modernização dos acessos ferroviários à zona central do porto de Setúbal o que irá permitir duplicar a capacidade e reduzir os custos do acesso ferroviário.

O documento, assinado pelos presidentes da Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS), Vítor Caldeirinha, e da Refer, António Ramalho, prevê uma verba de 500 mil euros para a realização de diversos estudos técnicos e operacionais para a modernização da infraestrutura ferroviária da zona portuária de Setúbal, bem como das infraestruturas ferroviárias da Estação de Praias do Sado, do Terminal Somincor e do triângulo de Praias do Sado, um projeto que faz parte da lista que integra o Plano Estratégico de Transportes e Infraestruturas (PETI+3).

De acordo com Vítor Caldeirinha, na primeira fase das obras será efetuada a eletrificação da infraestrutura ferroviária da zona central do porto de Setúbal, que deverá custar cerca de 2,5 milhões de euros e deverá estar concluída dentro de ano e meio. A execução deste projeto permitirá a duplicação da capacidade e a redução de custos de movimentação de comboios nos terminais portuários, uma aposta que significa mais competitividade no transporte ferroviário, protegendo o ambiente, a cidade e as zonas envolventes, das sobrecargas nas vias rodoviárias.

O responsável da APSS adiantou ainda que o PETI já inclui um financiamento global de cerca de 20 milhões de euros para as outras intervenções previstas na ferrovia da zona portuária e ligações a diversas empresas na zona este do concelho de Setúbal, conhecida por Península da Mitrena.

António Ramalho referiu que “pensar que a ferrovia cresce sem ser com os portos nacionais, é irracional”, reforçando que, para além das ligações ao “outro lado da fronteira” também é com estes investimentos de proximidade que se conseguirá posicionar os portos de Lisboa, Sines e Setúbal como Hubs de 1º nível na cadeia logística, já que aumentam a capacidade de movimentação de comboios em número e em capacidade de carga por comboio.

Recorde-se que, o Porto de Setúbal é já o segundo porto nacional na utilização da ferrovia. No ano de 2014, foram realizados 5,6 mil comboios neste porto, representando 34% do total movimentado nos portos portugueses.

Partilhe esta notícia