Recentemente, a população da Península de Setúbal foi surpreendida com a triste notícia que dá conta de que esta região se tornou na quarta região mais pobre do país. Algo difícil de digerir, no mínimo. Afinal, custa ler que a região que escolhemos para viver, para estudar e para trabalhar é uma das regiões mais pobres do país e, se nada for feito, a situação tende a piorar. 

Mas a que se deve esta triste realidade? 

Como é que se explica que uma região que outrora foi um dos importantes motores de desenvolvimento do país seja, hoje, uma das regiões mais pobres do país? 

Como é que se explica que uma região cujas condições naturais para a captação de investimento e atração de turistas são absolutamente únicas tenha visto o seu PIB per capita passado, de 2000 a 2016, de 68% da média europeia para 55%? 

Como é que se explica que a proximidade que a Península de Setúbal tem a Lisboa seja um elemento que nos prejudique em vez de beneficiarmos justamente dessa proximidade e da velocidade com que conseguimos estar “no outro lado”? 

No estudo elaborado, a Plataforma para o Desenvolvimento da Península de Setúbal (PDPS) aponta a integração da Península de Setúbal na Área Metropolitana como a principal razão para a queda desta região uma vez que, tendo em conta a riqueza gerada na margem norte, a Península de Setúbal acaba por ficar excluída das verbas comunitárias que tão importantes seriam para alavancar a região e transformar o potencial numa realidade. 

Contudo, não há dúvida que o Rio Tejo não é a única coisa que divide a margem sul e a margem norte. Existem diferenças estruturais do ponto de vista do desenvolvimento económico e social entre as duas margens e é, justamente por isso, que é tão importante tratar diferente aquilo que é diferente. 

Chega de sermos esquecidos. Chega de sermos um deserto. A NUT – Nomenclatura das Unidades Territoriais para Fins Estatísticos foi criada para que pudesse existir uma análise estatística dos dados económicos da Europa comunitária. Contudo, apesar de ter sido criada pelo Eurostat, o mapa da divisão das NUTS foi feito pelo Estado português através do Decreto-lei 244/2002, de 5 de novembro, que deve ser urgentemente alterado no sentido de evitar ainda mais uma das maiores injustiças e desigualdades do nosso território. A Península de Setúbal tem que estar, o mais rapidamente possível, elegível para o recebimento de verbas comunitárias em virtude de estarmos em plena reprogramação do atual quadro financeiro e em negociações para o Pós-2020. 

Com os municípios incapazes (ou incompetentes) para atraírem investimento e potenciarem o desenvolvimento económico dos nossos concelhos, exige-se ao Governo que olhe para Setúbal. Olhe para Setúbal e apresente a nossa região como uma região carenciada de verbas comunitárias. 

Com uma Associação de Municípios da Região de Setúbal (AMRS) completamente a leste do desastre em que se encontra a região se continuarmos sem qualquer tipo de apoio comunitário, temos que ser nós. Habitantes, trabalhadores, estudantes, movimento associativo da região, empresários. Temos que ser nós a defender a nossa região. 

Por Setúbal! 

João Pedro Louro

Presidente da JSD Distrital de Setúbal 

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