O Sindicato Nacional dos Motoristas (SNM) revelou que a greve parcial, que decorreu entre os dias 8 e 17 de agosto, foi “um êxito” face aos “constrangimentos criados pela administração dos Transportes Coletivos do Barreiro”. Por outro lado, a autarquia do Barreiro garantiu que o impacto da greve “foi praticamente inexistente”, uma vez que na maioria dos dias não existiu qualquer perturbação de carreiras.

Manuel Oliveira, representante do SNM, em declarações ao Distritonline, acusou a autarquia do Barreiro de “substituir os motoristas em greve” por outros trabalhadores que a “administração sabia, de antemão, que não iriam aderir à ação de luta”, de forma a reduzir, o possível, impacto da greve.

De acordo com o sindicalista, o SINTAP, apesar de ter demonstrado solidariedade no plenário que antecedeu o pré-aviso da greve, “aconselhou” os trabalhadores a não aderirem ao protesto, porque “aquele não era o momento oportuno”. “Aparentemente para os restantes sindicatos, o importante não são as condições de trabalho dos motoristas, mas outra coisa, quiçá algum conforto no que diz respeito à relação entre esses sindicatos e os partidos políticos que lhes são próximos”, justificou.

“A greve teve o impacto que nós queríamos, nomeadamente no que diz respeito à denúncia do comportamento adotado pelo PCP na CM do Barreiro que é completamente diferente do adotado pelo Partido Comunista na Assembleia da República”, acentuou Manuel Oliveira.

O representante do SNM garantiu que “os trabalhadores vão manifestar-se até ser reposta a legalidade”, no que diz respeito às refeições e rendições. No início de setembro será realizado um novo plenário no qual serão definidas, de acordo com Manuel Oliveira, “novas formas de luta”, uma vez que apesar do sindicato “privilegiar o diálogo” na resolução de problemas, em relação aos TCB “o diálogo esgotou-se”.

Já Rui Lopo, vereador da Câmara Municipal do Barreiro, referiu ao Distritonline que “apesar de ainda não terem trabalhado os números da greve com rigor”, a autarquia acredita que à exceção do 1º e 2º dia de greve em que “20% das carreiras não foram feitas”, a maior parte dos dias “existiram os serviços todos” e por isso o impacto da greve foi “praticamente inexistente”.

Em relação às acusações do SNM, Rui Lopo desmentiu que a autarquia tenha criado constrangimentos à greve, uma vez que o município “respeita muito o direito sindical e as reivindicações dos trabalhadores”, sublinhando que “não foram substituídos trabalhadores em greve”.

“No período das Festas do Barreiro o município, à semelhança do que aconteceu nos anos anteriores, faz um reforço nos TCB e, por exemplo, em certas alturas em vez de sair um autocarro saem dois. Contudo, apesar de alguns motoristas terem sido escalados para reforço, isso não nos dá garantias que a pessoa escalada não faça greve”, concluiu o vereador.

 

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